A dívida da Venezuela com o Brasil encerrou 2025 em US$ 1,856 bilhão (cerca de R$ 10,1 bilhões), segundo dados do Ministério da Fazenda. O montante corresponde aos valores já desembolsados pela União para indenizar exportadores brasileiros e aos juros acumulados desde o início da inadimplência venezuelana, em 2018.

A dívida tem origem em financiamentos concedidos pelo Brasil para grandes obras de infraestrutura na Venezuela nos anos 2000, como a expansão do metrô de Caracas, a construção de uma ponte sobre o Rio Orinoco, a Usina Siderúrgica Nacional e estaleiros. Os empréstimos foram garantidos pelo Seguro de Crédito à Exportação (SCE), lastreado no Fundo de Garantia à Exportação (FGE). Com o calote, o BNDES foi ressarcido pelo seguro e a dívida passou a ser diretamente com o governo brasileiro.

O Ministério da Fazenda informou que não há previsão de pagamento e que os valores seguem sendo atualizados conforme previsto em contrato. O governo afirma estar adotando medidas administrativas e diplomáticas para tentar recuperar o crédito, incluindo reuniões com representantes venezuelanos e envio de notificações oficiais.

Enquanto isso, o país enfrenta grave crise econômica e institucional. Desde o início do governo Nicolás Maduro, a Venezuela viu seu PIB per capita despencar quase 90% entre 2012 e 2020, agravando ainda mais a incapacidade de honrar compromissos financeiros internacionais.