Brasil – O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, autorizou o uso da Força Nacional pelo prazo de 90 dias em duas cidades de Roraima: a capital Boa Vista e Pacaraima, localizada na fronteira com a Venezuela — que recentemente foi alvo de uma operação militar dos Estados Unidos que capturou o ditador Nicolás Maduro.

A medida foi publicada no DOU (Diário Oficial da União) e entra em vigor nesta quinta-feira (8). O objetivo da portaria é apoiar os órgãos de segurança pública estaduais e atuar na preservação da ordem.

A quantidade de agentes mobilizados será determinada conforme o planejamento definido pela Diretoria da Força Nacional de Segurança Pública, da Secretaria Nacional de Segurança Pública, do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

A portaria não deixou claro quem solicitou o uso da Força Nacional, mas definiu que o órgão demandante deverá “dispor da infraestrutura necessária à Força Nacional de Segurança Pública”. Também não está claro se os últimos acontecimentos na Venezuela motivaram a autorização da medida. A CNN Brasil tenta contato com o Ministério da Justiça para elucidar esses pontos.

A portaria foi publicada dias após Maduro ser capturado junto à sua esposa, Cilia Flores, em uma operação militar dos EUA feita em Caracas, na Venezuela, no sábado (3).

Uma das preocupações do Brasil na crise da Venezuela era o aumento do fluxo migratório. Em conversa com a CNN, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, defendeu cautela, mas assessores do governo não descartaram elevar o número de militares em Pacaraima, em Roraima.

O Exército Brasileiro descartou um aumento no efetivo da região de Pacaraima na segunda-feira (5). Na ocasião, havia 120 militares que faziam o controle migratório e, segundo a instituição, o fluxo diminuiu nos dias anteriores ao episódio de sábado.

O governador de Roraima, Antonio Denarium, afirmou na segunda-feira que o momento era de “segurança redobrada” na fronteira em entrevistas a jornalistas.

A imprensa tentou contato com o Ministério da Justiça nesta quinta-feira (8) para entender a decisão de Lewandowski, já que não havia sido informada alteração no fluxo na fronteira até então. A reportagem questionou se a medida foi preventiva ou se houve outro motivo para justificar a portaria.