
A Acadêmicos do Grande Rio levará a energia e a originalidade do Manguebeat para a Marquês de Sapucaí no Carnaval de 2025. O enredo, que celebra o icônico movimento cultural pernambucano, é uma iniciativa do carnavalesco Antônio Gonzaga, que encontrou inspiração em suas raízes e na conexão entre a Baixada Fluminense e o manguezal.
Gonzaga, que nasceu em 1994, pouco depois do surgimento do Manguebeat, relata que a ideia para o enredo surgiu de conversas com seu pai, o jornalista Renato Lemos, autor do livro “Inventores do Carnaval” e fã de Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A. “Eu sempre gostei de Nação Zumbi. Meu pai escutava em casa, e eu, criança, escutava por tabela e curtia muito”, afirmou Gonzaga em participação no programa Sem Censura, da TV Brasil.
Conexão entre Caxias e o Manguebeat
Além da admiração pessoal, o carnavalesco identificou uma forte ligação geográfica e social entre Duque de Caxias, onde a Grande Rio tem sua sede, e a região de Recife onde o Manguebeat floresceu. “Pesquisando, achei essa conexão de a região da escola, Caxias, ser uma cidade cercada por manguezais. Então, fazer esse paralelo com os movimentos de periferia da baixada fluminense acho que foi o pulo do gato para fazer esse enredo dar certo”, explicou.
Ritmos e Referências na Avenida
O desfile promete ser um espetáculo visual e sonoro, com seis setores, cinco carros alegóricos e três tripés que retratarão a essência de Pernambuco. A bateria da escola, comandada pelo Mestre Fafá, de 34 anos, com seus 270 ritmistas, apresentará um arranjo inspirado nas inovações do Manguebeat, com referências ao frevo, ao maracatu e às “viagens” musicais de Chico Science. “Pode esperar muita alegria, muita bossa inspirada no trabalho de Chico Science, um cara que misturava muitos ritmos”, garantiu o mestre.
As fantasias também trarão homenagens, como a da bateria, que representará o bloco afro Lamento Negro, um dos fundados por Chico Science. A letra do samba-enredo, assinada por Ailson Picanço, Marquinho Paloma, Davison Wendel, Xande Pieroni, Marcelo Moraes e Guga Martins, reforça a identidade cultural com versos como “Eu também sou caranguejo à beira do igarapé / Gabiru trabalha cedo, cata o lixo da maré.”
A Acadêmicos do Grande Rio será a penúltima escola a se apresentar na terça-feira, 17 de fevereiro, último dia de desfiles do grupo especial do Carnaval do Rio de Janeiro, em busca do seu bicampeonato.
Com informações da Agência Brasil








