Um vibrante calango gigante, símbolo do bloco de Carnaval Calango Careta, serpenteou pelas ruas da Asa Norte, em Brasília, nesta terça-feira (17), em um cortejo que mesclou arte, música e celebração da cultura local. Desde 2015, a alegoria do animal típico do Cerrado, nas cores verde, amarelo e vermelho, marca presença, promovendo um “carnaval de vizinhança” ao lado de prédios residenciais.

Diferente de grandes concentrações, o Calango Careta aposta na coletividade, com a alegoria erguida e articulada em bambus, inspirada nos dragões de Olinda. A iniciativa atrai moradores que buscam uma folia mais próxima e tranquila, como relata a analista de sistemas Ana Bastos, que acompanha o bloco com a filha.

Mensagens de preservação e alegria

O cortejo leva consigo uma mensagem de preservação do Cerrado, representada não apenas pelo calango, mas também por um boneco de saruê. O educador social Gabriel Ballarini, voluntário na animação do boneco, expressa orgulho em dar vida à alegoria, que, apesar do peso, encanta o público.

A festa também celebra a fauna do bioma com fantasias inspiradas em animais como a capivara, e a paixão pela música, como no caso do pequeno Rui, que demonstra interesse por instrumentos e ritmos.

Estética circense e referências culturais

A estética do bloco é um espetáculo à parte, combinando cultura popular e psicodelia. Artistas com grandes asas, pernas de pau, palhaços e acrobatas mascarados guiam o cortejo, criando um ambiente lúdico e festivo. Vanessa Cândido Rezende, uma das apoiadoras, trouxe um regador de glitter para espalhar alegria, simbolizando a energia contagiante do carnaval.

Neste ano, o bloco também prestou homenagem a produções cinematográficas brasileiras. O casal formado pela jornalista Ana Chalub e o músico Luiz Bragança se inspirou no filme “O Agente Secreto”. Ana se fantasiou como a personagem Dona Sebastiana, enquanto Luiz incorporou um “orelhão”, ícone das ruas das décadas de 1970 e 1980.

Orquestra Camaleônica dita o ritmo

A sonoridade do Calango Careta é garantida pela Orquestra Camaleônica, com sua fanfarra composta por metais e percussão vibrante. O repertório passeia por ciranda, frevo, maracatu e sucessos da MPB, com músicas como “Lucro” do BaianaSystem e “Frevo Mulher” de Zé Ramalho ecoando entre os foliões.

A ausência de cordas e abadás promove uma interação próxima entre músicos e público. Jovens como Mariana Junqueira Marini e Isis Frank Rocha, fantasiadas de personagens animados, expressam a alegria de participar de um carnaval que valoriza a diversão e a criatividade.

Vibração que une gerações

O Calango Careta se destaca por reunir pessoas de todas as idades, de crianças a idosos. A fisioterapeuta Gabriela Barcellos, grávida de 8 meses, celebra a oportunidade de vivenciar o carnaval com a família, enquanto a aposentada Mara Carvalho, aos 75 anos, perpetua a tradição que a acompanha desde a infância, trazendo filhos, genro e neto para a folia.

A tradição do bloco, que divulga seu local de saída poucas horas antes para gerar expectativa, inspirou até fábulas escolares. Além disso, o documentário “Calango Careta: 10 Anos de Eterno Carnaval” será exibido no Cine Brasília, contando a história deste ícone da cidade.

Com informações da Agência Brasil