Inovação na Restauração

Uma iniciativa de restauração da área florestal da Mata Atlântica, na Bahia, apresentou resultados eficientes ao reduzir o tempo de crescimento das espécies em até 50% e recriando florestas produtivas mais resilientes às mudanças climáticas.

Segundo Laura Guimarães, supervisora de melhoramento genético, pesquisa e desenvolvimento da Symbiosis, o trabalho, iniciado em 2014, foca na coleta e mapeamento de indivíduos com maior potencial de conservação.

A Empresa Brasileira de Reflorestamento recuperou 1 mil hectares do bioma a partir da seleção genética de 45 espécies nativas, incluindo jacarandá, jequitibá, ipês e angicos. Exemplares centenários, com genética adaptada, são priorizados.

Impactos da Fragmentação

A Mata Atlântica, que já cobriu 130 milhões de hectares, hoje possui apenas 24% de sua cobertura original. Desse total, somente 12,4% são florestas maduras e bem preservadas.

Rafael Bitante Fernandes, da Fundação SOS Mata Atlântica, alerta que a fragmentação compromete a variabilidade genética e a capacidade adaptativa das espécies, tornando-as mais suscetíveis a eventos climáticos extremos.

A perda de diversidade impacta diretamente os serviços ecossistêmicos essenciais, como a disponibilidade de água, qualidade do ar e controle de doenças, agravando problemas climáticos como enchentes e secas intensas.

Restauração como Investimento

A pressão gerada pelo declínio da Mata Atlântica e os riscos econômicos associados têm levado empresas privadas a verem a restauração florestal como um investimento e oportunidade de negócio.

Modelos de restauração florestal com manejo sustentável permitem a exploração de produtos madeireiros e não madeireiros, como óleos e essências, sem a necessidade de corte raso.

Empresas geradoras de energia elétrica, por exemplo, investem na proteção de mananciais, garantindo a longevidade de seus negócios e reduzindo riscos em períodos de estiagem ou chuvas intensas.

Pacto pela Restauração e Desafios Futuros

O Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, estabelecido em 2009, visa recuperar 15 milhões de hectares do bioma até 2050, com a meta de restaurar áreas de forma intencional.

A Mata Atlântica é um modelo global de restauração, reconhecida internacionalmente por suas ações qualificadas. No entanto, 90% de seu território é de propriedade privada, o que exige a sensibilização de proprietários.

Para alcançar as metas, são necessárias políticas públicas robustas, incluindo pagamentos por serviços ambientais, comando e controle de áreas preservadas e incentivos massivos para restauração.

A restauração florestal tem o potencial de gerar um emprego a cada dois campos de futebol, oferecendo um benefício social gigantesco e promovendo o desenvolvimento sustentável.

Com informações da Agência Brasil