
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou nesta terça-feira (3) que a escalada do conflito no Oriente Médio não deve afetar o ciclo de redução da taxa básica de juros (Selic) no Brasil. A previsão é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central inicie os cortes na próxima reunião, em março, mantendo a taxa em níveis restritivos.
Brasil tem autonomia para lidar com choques externos
Haddad ressaltou que o Brasil possui autonomia para absorver os impactos do conflito, destacando que o país não depende de petróleo, sendo um grande produtor nacional. Ele mencionou ainda as reservas cambiais e a energia limpa como fatores de resiliência.
“O Brasil não depende de petróleo, o Brasil é um dos maiores produtores de petróleo do mundo, sobretudo graças ao pré-sal, fruto de investimentos na Petrobras no segundo governo [do presidente Luiz Inácio Lula da Silva]. Nós temos reservas cambiais, nós não temos dívida externa […], nós temos energia limpa”, afirmou Haddad em entrevista à Rádio Nacional.
Conflito e a influência da China
O ministro também comentou a importância estratégica da China no cenário geopolítico atual, sugerindo que os conflitos no Oriente Médio e na Venezuela podem estar relacionados ao receio dos Estados Unidos com a ascensão econômica e militar chinesa. A China é uma grande compradora de petróleo iraniano.
Especialistas consultados pela Agência Brasil apontam que as ações militares buscam conter a expansão econômica chinesa e consolidar a hegemonia de Israel na região.
A China, por sua vez, expressou “extrema preocupação” com os ataques e pediu o fim imediato das ações militares, defendendo o respeito à soberania do Irã e a retomada do diálogo.
A taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, está em seu maior nível desde julho de 2006. Apesar da queda da inflação e do dólar, o Copom manteve os juros elevados nas últimas cinco reuniões, sinalizando cortes a partir de março, desde que a inflação permaneça sob controle.
Com informações da Agência Brasil








