
Brasil – A lista saiu, e o nome que, por mais de uma década, foi o primeiro a ser digitado pelos cronistas simplesmente não estava lá. Neymar Jr., o maior artilheiro da história da Amarelinha, assistirá aos últimos ensaios para a Copa do Mundo do sofá.
Para alguns, uma heresia; para outros, o choque de realidade que o Brasil adiou por tempo demais.
A ausência de Neymar nesta convocação final não é apenas uma questão de boletim médico. É um divisor de águas simbólico. Pela primeira vez em anos, a seleção brasileira entra no túnel que leva ao Mundial sem a garantia de que sua maior estrela será o guia absoluto.
A ‘desneymarização’ da seleção
O que vemos agora é um experimento de “desneymarização”. Carlo Ancelotti, com a experiência europeia e o pragmatismo que o trouxeram ao cargo, parece ter entendido que não se pode construir um planejamento de Copa sobre um alicerce que oscila entre o estaleiro e a retomada física.
O vácuo do protagonismo
Sem o camisa 10, a bola não tem mais um “dono” absoluto. Isso obriga nomes como Vinícius Jr. e Raphinha — que já conhecem bem a cartilha de Ancelotti — a assumirem não apenas o drible, mas a responsabilidade intelectual do jogo.
O fim do privilégio
A mensagem é clara: nesta seleção, a hierarquia será ditada pela continuidade e pela entrega tática, não apenas pelo histórico de serviços prestados.
O risco e a oportunidade
Claro, há um risco latente. Neymar, mesmo a 70% de sua capacidade, ainda enxerga linhas de passe que o restante do elenco mal consegue imaginar. Abdicar disso às vésperas da Copa é uma aposta alta. Se o time travar diante de uma retranca europeia, o fantasma do craque ausente rondará a Granja Comary.
Por outro lado, o ganho tático pode ser a salvação. Uma equipe sem Neymar é, por definição, uma equipe que precisa correr mais, marcar mais e se entender melhor enquanto unidade.
É o fim da “jogada de segurança” — aquela em que, na dúvida, entrega-se a bola ao gênio e espera-se o milagre.
A dura realidade
A ausência de Neymar nesta última convocação é um remédio amargo, mas necessário. O Brasil precisa descobrir quem é sem o seu ídolo máximo da última década para, quem sabe, recebê-lo na Copa não como um salvador da pátria, mas como uma peça de luxo em uma engrenagem que já sabe girar sozinha sob o comando do técnico italiano.
Resta saber se, na hora em que o hino tocar no Mundial, o grupo sentirá o alívio da autonomia ou o peso da solidão.








