
A dirigente do PT Anne Moura, representante do Amazonas na Executiva Nacional do partido, passou a ser investigada pela Polícia Federal após denúncia que aponta possível uso irregular de recursos públicos nas eleições municipais de 2024. Na ocasião, ela disputou uma vaga de vereadora em Manaus e obteve 2.399 votos, conforme o Tribunal Superior Eleitoral.
A denúncia foi apresentada por Marcos Jeremias dos Santos Rodrigues, ex-diretor do Instituto de Articulação de Juventude da Amazônia (IAJA), entidade vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego. O caso corre sob sigilo, mas documentos da apuração indicam suspeitas sobre a aplicação de verbas federais destinadas a um projeto que, segundo relatório técnico, não saiu do papel.
De acordo com o levantamento, nenhuma turma de qualificação profissional foi formada, embora cerca de R$ 600 mil — o equivalente a 98,5% dos recursos — tenham sido utilizados sem comprovação adequada, levantando indícios de desvio de finalidade.
A Polícia Federal também analisa áudios atribuídos à investigada, nos quais há referências à necessidade de recursos para a campanha. Em um dos trechos, é mencionada a urgência de obter dinheiro antes do período eleitoral e evitar perdas para garantir desempenho nas urnas.
Outro ponto que chamou atenção dos investigadores é a discrepância entre valores citados nesses áudios e os dados oficiais informados à Justiça Eleitoral. Enquanto a prestação de contas registra despesas de R$ 434,8 mil, nas conversas o montante mencionado chegaria a cerca de R$ 1,1 milhão.
Diante desses elementos, a PF intensificou as diligências, com pedidos de documentos ao Ministério do Trabalho, análise de movimentações financeiras e depoimentos de pessoas ligadas ao caso, incluindo o ex-diretor do IAJA.
O relatório também aponta falhas no convênio firmado, como descumprimento do plano de trabalho e possíveis irregularidades na aplicação dos recursos públicos. O caso pode resultar na cobrança de devolução dos valores aos cofres públicos.
A denúncia levanta a possibilidade de enquadramento em crimes como peculato, desvio de verbas públicas e corrupção eleitoral, além de citar indícios de associação criminosa, lavagem de dinheiro e atos de improbidade administrativa. As investigações seguem em andamento e não há decisão judicial definitiva.
A reportagem apurou que uma audiência sobre o caso deve ser realizada em junho, ainda sem data definida.
Em nota, Anne Moura afirmou que teve as contas aprovadas pela Justiça Eleitoral e negou participação na gestão do IAJA no período citado.
Veja a íntegra:
“Em respeito à verdade e à opinião pública, esclareço que minhas contas eleitorais foram aprovadas pela Justiça Eleitoral, cumprindo todas as exigências legais. No período mencionado, não integrava a gestão do IAJA nem do projeto citado, não exercia função administrativa e não tinha responsabilidade sobre a execução do convênio.
As denúncias partiram do então presidente e coordenador do projeto, responsável direto pela gestão e execução do acordo, conforme registros formais.
Permaneço tranquila e confiante no esclarecimento dos fatos. Há uma tentativa de associar meu nome de forma indevida, em um contexto que considero de perseguição política e pessoal.
Respondo à Justiça com base em fatos e documentos e seguirei com serenidade e compromisso com a verdade.”









