Brasil – Em meio ao aumento das divergências internas no campo da direita, o vereador Carlos Bolsonaro (PL-SC) fez críticas públicas ao irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL), ao questionar a estratégia adotada por ele na pré-campanha presidencial. As declarações foram publicadas nas redes sociais e repercutidas em reportagem do jornal O Globo.

Carlos afirmou que Flávio estaria se apoiando em pessoas que apresentam “discursos ilusórios” e o alertou sobre influências ao seu redor. “Ouça ao menos um pouco do que venho lhe dizendo há tempos, e não apenas aqueles que possuem outros interesses ao seu redor. É preciso ponderar. Você está mordendo a isca com mais facilidade do que lambari em anzol de mosquito e o peixe vai só engordando malandramente”, escreveu.

A publicação foi acompanhada de uma imagem que remetia a uma reportagem de 2023 sobre o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). Na ocasião, Zema havia se manifestado favoravelmente à proposta de reforma tributária do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, posição que contrariou a orientação do ex-presidente Jair Bolsonaro. O mineiro é citado como possível vice em uma eventual chapa encabeçada por Flávio.

Embates internos e críticas a aliados

As declarações de Carlos ocorrem em um contexto de trocas de críticas entre integrantes do bolsonarismo. Nos últimos dias, ele também reagiu a posicionamentos do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), intensificando o clima de divisão.

Em outra publicação, Carlos defendeu a unidade do grupo político e criticou o que classificou como oportunismo. “Luto até hoje para ver meu país livre, assim como Jair Bolsonaro e as centenas de presos políticos no Brasil, e assim seguirei fazendo. Grupo não se faz de oportunistas; aliás, pode até ser, mas a sua essência não pode ser perdida porque há alguém vendando seus olhos. O Brasil é muito maior e merece muito mais do que isso! Assim foi com Jair Bolsonaro, e assim as tias do zap e os tios do churrasco querem e sempre lutaram por nossa amada nação”, declarou.

O vereador também explicou que pretende levar à executiva do partido um levantamento sobre correligionários que não estariam divulgando a pré-candidatura de Flávio. Segundo ele, a iniciativa busca corrigir posturas internas. “Quem quer vencer precisa agir, comunicar e vestir a camisa. Neste momento, muitas vezes, basta o básico: marcar posição e se manifestar com… postagens. Seguimos tentando ajudar a manter vivos politicamente, inclusive muitos que por algum motivo ignoram Flávio Bolsonaro e não dão bola para a situação do Brasil”, completou.

Resposta de Nikolas e escalada da crise

Nikolas Ferreira respondeu às críticas afirmando que há limites para provocações. “Postar você todos os dias, qualquer um faz. Porque isso é fácil. Mas conquistar os votos, através das ideias que você representa, isso sim é um trabalho efetivo, e que poucos fazem, porque exige trabalho, preparo e inteligência”, disse.

A crise interna já havia sido ampliada anteriormente por declarações do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que também criticou Nikolas. Em publicação nas redes sociais, Eduardo afirmou: “Risinho de deboche para mim, Nikolas? Ao que parece, não há limites para seu desrespeito comigo e minha família. Triste ver essa versão caricata de si mesmo. Não é, nem de longe, o menino que conheci, apoie e acreditei. Os holofotes e a fama te fizeram mal, infelizmente”.

Em entrevista ao O Globo, Nikolas se posicionou sobre o cenário e afirmou que enfrenta críticas dentro do próprio grupo. Ele se definiu como “atacante”, disse sofrer “ataques unilaterais” e mencionou a existência de aliados que “se acham mais Bolsonaro do que o próprio Bolsonaro”, classificando-os como “experts em afastar as pessoas”.

O conjunto de declarações evidencia o ambiente de fragmentação entre lideranças da direita, em um momento em que articulações políticas e pré-candidaturas começam a ganhar força com vistas às eleições presidenciais.