A Polícia Federal encontrou grandes quantias em dinheiro vivo durante a Operação Mare Liberum, deflagrada na manhã desta terça-feira (28), que investiga um esquema de facilitação de contrabando e descaminho no Porto do Rio de Janeiro envolvendo servidores da Receita Federal.

Entre os alvos da operação estão três auditores fiscais. Em um dos endereços, na Barra da Tijuca, os agentes localizaram cerca de R$ 1,2 milhão e US$ 83 mil, valores que foram apreendidos e levados à Superintendência da PF, no centro do Rio.

Em outro imóvel, em Niterói, foram encontrados US$ 200 mil. Já com uma terceira servidora, também alvo da ação, a PF apreendeu quase US$ 360 mil.

Durante a operação, celulares, computadores, pen drives e outros dispositivos foram recolhidos pelos agentes. Ao todo, 25 servidores da Receita Federal foram alvos de mandados de busca e apreensão, sendo 17 auditores fiscais e oito analistas tributários, todos afastados de suas funções.

As investigações apontam a existência de um esquema estruturado envolvendo servidores públicos, despachantes aduaneiros e empresários, que atuariam na liberação irregular de cargas no porto, com divergências entre mercadorias declaradas e efetivamente importadas, além de possível sonegação de tributos.

Segundo a Receita Federal, cerca de 17 mil Declarações de Importação apresentam indícios de irregularidades. A PF estima que o esquema possa ter causado prejuízos de aproximadamente R$ 86,6 bilhões entre 2021 e 2026.

A investigação teve início em 2022, a partir de apurações internas da Corregedoria da Receita Federal, e também cumpriu mandados no Espírito Santo.