As urnas eletrônicas completam 30 anos em maio de 2026 em meio a um cenário de debate público sobre sua confiabilidade. De acordo com pesquisa Genial/Quaest divulgada em fevereiro de 2026, 43% dos brasileiros dizem não confiar no sistema de votação, enquanto 53% afirmam confiar. O levantamento também aponta que três dos 12 pré-candidatos à Presidência criticam o modelo eleitoral.

Para marcar as três décadas do sistema e reforçar sua segurança e transparência, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realiza nesta segunda-feira (4) um evento comemorativo com foco no combate à desinformação.

A desconfiança em relação às urnas não é recente e atravessa diferentes ciclos políticos. Ao longo dos anos, o sistema já foi questionado por lideranças de diferentes espectros ideológicos, como Leonel Brizola, Luiz Inácio Lula da Silva, Aécio Neves e Jair Bolsonaro, especialmente em contextos de disputas eleitorais mais acirradas — sempre sem comprovação de fraude.

Um dos episódios mais citados ocorreu em 2014, quando Aécio Neves, após ser derrotado por Dilma Rousseff, pediu auditoria do sistema. O TSE não encontrou irregularidades.

A partir de 2018, as críticas se intensificaram e passaram a ganhar maior repercussão pública. Nesse período, o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados levantaram questionamentos sobre a confiabilidade do sistema, apesar de terem sido eleitos diversas vezes por meio dele.

Desde a implantação das urnas, a Justiça Eleitoral reforça que auditorias, testes de segurança e verificações públicas são realizados regularmente, sem registro de fraude comprovada capaz de alterar resultados eleitorais.

Especialistas apontam ainda que a disseminação de dúvidas sobre o sistema ganhou força com o ambiente digital. Em análise ao tema, o advogado eleitoral Ricardo Vita Porto destaca que a desconfiança passou a ser explorada politicamente e amplificada nas redes sociais.

As urnas eletrônicas começaram a ser desenvolvidas em 1995 e foram usadas pela primeira vez em 1996, nas eleições municipais. Em 2000, o sistema foi adotado em todo o país. Desde então, passou por atualizações de segurança, como biometria e criptografia.

O debate sobre o voto impresso também marcou a trajetória do sistema. Testado parcialmente em 2002, o modelo foi abandonado após problemas técnicos. Anos depois, chegou a ser aprovado pelo Congresso, mas acabou suspenso pelo Supremo Tribunal Federal em 2013, sob risco ao sigilo do voto.

Mesmo após três décadas, o sistema segue no centro de discussões políticas e institucionais, enquanto a Justiça Eleitoral mantém a posição de que não há evidências de fraude no processo eletrônico de votação.