Brasil – A decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de suspender parte da produção da Ypê provocou uma onda de reações políticas nas redes sociais. Desde a última quinta-feira, 7, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro passaram a publicar vídeos utilizando produtos da marca em tom de protesto contra a medida do órgão regulador.

Os conteúdos viralizaram principalmente entre perfis bolsonaristas. Em um dos vídeos mais compartilhados no X, um homem aparece dentro de um carro ingerindo detergente da marca.

Outro vídeo mostra um homem afirmando que utiliza detergente neutro da Ypê até como substituto de shampoo. Já uma mulher publicou imagens lavando um frango com detergente enquanto ironizava a decisão da Anvisa. Em outra gravação, um apoiador exibe um dos lotes atingidos pela restrição e toma banho com o produto, dizendo que “não há bactéria”.

Além dos vídeos, diversos usuários passaram a compartilhar imagens comprando grandes quantidades de produtos da marca como forma de demonstrar apoio à empresa e contestar a medida sanitária.

Entre os nomes que repercutiram o caso está a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que publicou uma foto segurando um detergente da marca nas redes sociais.

Disputa política

A repercussão ganhou contornos políticos após apoiadores de Bolsonaro associarem a decisão da Anvisa a uma suposta perseguição contra os donos da empresa. A Química Amparo, controladora da Ypê, teve sócios que realizaram doações para a campanha presidencial de Bolsonaro em 2022.

Naquele ano, os empresários Waldir Beira Júnior, Jorge Beira e Ricardo Beira doaram cerca de R$ 1,5 milhão ao então candidato do PL. Apesar das acusações feitas nas redes sociais, não há qualquer comprovação de motivação política por parte da Anvisa.

Bolsonaristas x Havaianas

O episódio envolvendo a Ypê relembrou outro movimento protagonizado por apoiadores de Jair Bolsonaro nas redes sociais: a campanha em defesa da Havaianas após críticas e boicotes políticos.

A reação foi motivada por um trecho do comercial em que a atriz Fernanda Torres, afirma não desejar que as pessoas comecem 2026 “com o pé direito”, expressão popularmente associada à sorte.

Na ocasião, bolsonaristas passaram a comprar sandálias da marca e publicar fotos usando os produtos depois que a empresa foi alvo de ataques virtuais por supostamente apoiar pautas associadas à esquerda. Vídeos, fotos e mensagens incentivando o consumo da marca circularam amplamente em grupos e perfis conservadores.

Entenda a decisão da Anvisa

A medida adotada pela Anvisa ocorreu após a identificação de falhas sanitárias e possível risco de contaminação microbiológica em produtos fabricados pela unidade da empresa em Amparo, no interior de São Paulo.

A agência determinou o recolhimento de detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes produzidos na fábrica paulista cujos lotes terminam com o número 1.

Entre os produtos afetados estão linhas como Lava-Louças Ypê, Lava-Louças Ypê Green, Lava Roupas Líquido Tixan Ypê, Lava Roupas Ypê Premium, Desinfetante Bak Ypê e Desinfetante Pinho Ypê.

Empresa apresentou recurso

Após a decisão, a Ypê entrou com recurso administrativo e conseguiu suspender temporariamente os efeitos da proibição de fabricação e comercialização dos produtos.

Mesmo assim, a empresa informou que manterá interrompidas as linhas de produção citadas na resolução até a conclusão da análise técnica.

Em nota, a fabricante afirmou que o recurso foi apresentado para reforçar os compromissos assumidos no Plano de Ação e Conformidade, além de prestar esclarecimentos técnicos às autoridades sanitárias.