
Brasil – A Entre Investimentos, empresa apontada como financiadora do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), movimentou R$ 203 milhões com o Banco Master em um único dia, segundo informações de um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) produzido pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), obtido pelo SBT News.
A operação ocorreu em 19 de agosto de 2024 e ganhou repercussão após o site The Intercept Brasil divulgar que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, teria solicitado recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para viabilizar o longa-metragem. O parlamentar afirma que conheceu Vorcaro no mesmo ano da transação financeira.
“O contato ocorreu em 2024 quando os fatos hoje atribuídos a Vorcaro não eram conhecidos publicamente”, declarou Flávio Bolsonaro em nota oficial. Durante coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (15), o senador também comentou as suspeitas envolvendo o financiamento do filme. “Não tenho que justificar nada para ninguém”, afirmou.
Relatório do Coaf aponta operação milionária
De acordo com o documento do Coaf obtido pelo SBT News, a movimentação de R$ 203 milhões foi classificada como uma “transferência de bens imóveis de qualquer valor, de cotas ou participações societárias”.
O relatório não detalha quem enviou ou recebeu os recursos, nem informa se os valores tiveram como destino o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos.
Segundo Flávio Bolsonaro, o fundo foi criado para financiar a produção do filme “Dark Horse” e está sob gestão do advogado Paulo Calixto, que atua na defesa do ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, que vie atualmente nos Estados Unidos
Mário Frias confirma repasse para o filme
O deputado federal Mário Frias (PL-RJ), produtor-executivo do longa, confirmou que a Entre Investimentos foi a responsável pelo repasse financeiro destinado à produção cinematográfica.
A empresa integra o Grupo Entre, controlador da Entrepay, fintech investigada por supostas ligações com o Banco Master. Em março de 2026, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da empresa.
Antes mesmo da divulgação do caso envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, o Grupo Entre já era monitorado pela Polícia Federal como parte de uma suposta rede financeira ligada ao Banco Master. Segundo as investigações, empresas e fundos de investimento teriam sido usados para dificultar o rastreamento de recursos.
Empresa nega irregularidades
Procurada pela reportagem, a Entre Investimentos não detalhou a operação financeira de R$ 203 milhões nem esclareceu possíveis vínculos com o fundo Havengate.
Em nota, a empresa afirmou que “o Grupo Entre não exerce qualquer função de gestão ou administração fiduciária no Havengate Development Fund LP. O Grupo Entre realiza suas operações em conformidade com as normas e regulamentações aplicáveis ao setor financeiro. A empresa reforça seu compromisso com a integridade, a transparência e o cumprimento da legislação vigente, permanecendo à disposição das autoridades competentes sempre que necessário”.
Até o momento, a defesa de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, não se pronunciou sobre as informações contidas no relatório do Coaf.





