
Brasil – A Ancine (Agência Nacional do Cinema) abriu uma apuração para investigar a produção de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro (PL), e a produtora Go Up Entertainment pode ser multada em até R$ 100 mil. O motivo é que a agência quer saber se a obra estrangeira foi filmada no Brasil sem a comunicação obrigatória e sem a apresentação dos documentos exigidos para esse tipo de projeto.
Segundo a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, a Ancine pontuou que produções estrangeiras gravadas no país precisam ser realizadas sob responsabilidade de uma empresa produtora brasileira registrada.
Essa empresa, por sua vez, deve fazer comunicação prévia e apresentar contrato, plano de filmagem e dados dos profissionais estrangeiros envolvidos. A própria Ancine informa isso em sua página sobre filmagens gringas no Brasil.
Pela Instrução Normativa nº 109, produzir no Brasil uma obra estrangeira sem comunicar o fato à Ancine pode gerar multa de R$ 2 mil a R$ 100 mil. A mesma faixa de penalidade vale para a produção realizada sem contrato formal com empresa brasileira responsável.
O caso ganhou força porque Dark Horse já vinha cercado de controvérsias política e financeira. Uma reportagem da Reuters mostrou que o longa, estrelado por Jim Caviezel e centrado na trajetória política de Bolsonaro, ficou misturado ao escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. A Go Up afirmou à agência que o filme tem mais de dez investidores e negou ter recebido dinheiro de Vorcaro num primeiro momento.
Além disso, a Agência Brasil informou que o STF (Supremo Tribunal Federal) também passou a apurar repasses de emendas parlamentares ligados a empresas da rede de Karina Gama, dona da Go Up.
Com estreia prevista para setembro, Dark Horse agora deve chegar aos cinemas sob dupla pressão: a polêmica política em torno do financiamento e a investigação regulatória sobre a forma como foi filmado no Brasil.







