
Na madrugada desta segunda-feira (1º), o Tribunal do Júri de Manaus concluiu o julgamento de um dos crimes de maior repercussão dos últimos anos no Amazonas. Após cinco dias de sessões no Fórum Ministro Henoch Reis, os réus Gil Romero Machado Batista e José Nílson Azevedo da Silva foram condenados pelo assassinato de Débora da Silva Alves, que estava grávida de oito meses.
A sentença foi proferida pelo juiz Fábio Alfaia, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, após a decisão do Conselho de Sentença sobre as acusações apresentadas pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM).
Apontado como autor e mentor do crime, Gil Romero recebeu a pena de 63 anos, 7 meses e 19 dias de prisão em regime fechado. Os jurados reconheceram sua responsabilidade pelo feminicídio qualificado, cometido com recurso que dificultou a defesa da vítima e mediante meio cruel, além da morte do bebê que Débora esperava, da ocultação de cadáver e da tentativa de destruir provas do crime.
Já José Nílson Azevedo da Silva foi condenado a 17 anos e 8 meses de prisão. Embora os jurados tenham afastado as acusações de autoria direta do homicídio e as qualificadoras de feminicídio, entenderam que ele participou da ação criminosa e contribuiu para a execução do delito, motivado por razões consideradas moralmente reprováveis.
O julgamento teve início na última quarta-feira (27) e foi marcado por intensos debates entre acusação e defesa até a leitura da sentença nas primeiras horas desta segunda-feira.
Relembre o caso
Segundo a denúncia do Ministério Público, Débora da Silva Alves foi assassinada na madrugada de 30 de julho de 2023, nas dependências da Usina Termelétrica Mauá 2, no bairro Mauazinho, zona Leste de Manaus.
A jovem, que estava no oitavo mês de gestação, foi atraída ao local e morta por asfixia com um fio elétrico. Em seguida, o corpo foi colocado dentro de um tonel e incendiado na tentativa de ocultar o crime.
As investigações apontaram que, após a saída de José Nílson do local, Gil Romero teria retirado o bebê do ventre da vítima e descartado a criança em um saco plástico no rio.
De acordo com o MPAM, Gil Romero mantinha um relacionamento extraconjugal com Débora e seria o pai da criança. A motivação do crime teria sido ocultar a gravidez e as consequências da relação.








