
Brasil – Patric Mazzei Mazza, ex-assessor do deputado estadual Bruno Zambelli (PL-SP), irmão de Carla Zambelli, financiou a compra de uma aeronave apreendida com 470 quilos de cocaína em Santa Rita do Araguaia (GO), segundo investigação da Polícia Federal. A PF afirma que ele integrou um núcleo de ocultação patrimonial e apoio operacional de uma organização criminosa investigada por tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro.
A informação foi revelada pelo Metrópoles, em reportagem de Pablo Giovanni. Mazzei trabalhou no gabinete de Bruno Zambelli entre dezembro de 2024 e julho de 2025 e foi um dos 24 presos na segunda fase da Operação Rota Andina, deflagrada pela PF há três semanas.
De acordo com a investigação, Mazzei e outro investigado, Vitor Hugo Gonçalves Corgosinho, atuavam como sócios ou controladores ocultos de uma empresa do setor do agronegócio que aportou R$ 250 mil na compra do avião. A aeronave foi adquirida por R$ 1,4 milhão.
A PF aponta que os dois eram responsáveis por autorizar transações financeiras ligadas à aquisição da aeronave. Após a apreensão do avião, investigadores extraíram dados de GPS, registros de voo e informações armazenadas no equipamento, além de identificar trajetos em Mato Grosso e pontos considerados de apoio logístico ao grupo.
PF vê ex-assessor de Zambelli como peça ativa no esquema
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras analisados pela PF indicam que Mazzei movimentou mais de R$ 6,1 milhões em operações com pessoas físicas e jurídicas citadas na investigação entre abril de 2024 e abril de 2025.
Parte das movimentações ocorreu quando ele ocupava cargo no gabinete de Bruno Zambelli, com remuneração bruta de R$ 10,2 mil e salário líquido de R$ 7,4 mil.
Segundo a PF, Mazzei não se encaixaria no perfil clássico de “laranja”. Os investigadores afirmam que ele teria atuação “mais ativa e consciente” na estrutura investigada, com papel de intermediador na circulação de valores e de elo para dar aparência de legalidade às transações financeiras atribuídas à organização criminosa.
A investigação também aponta que o patrimônio identificado em nome do ex-assessor não seria compatível com o volume financeiro movimentado. A PF localizou apenas bens de menor expressão econômica, em contraste com as operações milionárias atribuídas a ele.
Aeronave apreendida com cocaína levou PF ao núcleo financeiro
A apuração começou após a apreensão da aeronave com 470 quilos de cocaína, em abril de 2025, em Goiás. A partir do material recolhido, a PF mapeou registros de voo, deslocamentos e possíveis pontos de apoio da organização criminosa.
Nas operações envolvendo uma empresa do setor do agronegócio apontada como controlada de fato por Mazzei e outro investigado, a PF afirma que o ex-assessor remeteu R$ 1,37 milhão e recebeu R$ 376,6 mil entre abril e outubro de 2024.
Os investigadores também identificaram movimentações de aproximadamente R$ 2,44 milhões com uma transportadora mencionada nas apurações. A empresa atribuída a Mazzei, embora tenha capital declarado de R$ 500 mil e atividade voltada ao transporte rodoviário de cargas, está registrada no endereço residencial dele, em Uberlândia (MG), segundo a PF.
O caso amplia o cerco político e judicial em torno do entorno da família Zambelli. A situação de Carla Zambelli na Itália também tem sido acompanhada de perto após decisões judiciais sobre sua extradição ao Brasil.
Bruno Zambelli nega conhecimento dos fatos
Procurado, Bruno Zambelli afirmou que, durante o período em que Mazzei trabalhou em seu gabinete, o ex-assessor demonstrou conduta profissional exemplar. O deputado disse ainda que não dispõe de informações sobre os fatos investigados e que confia no esclarecimento pelas autoridades competentes.
A coluna informou que não conseguiu localizar as defesas de Patric Mazzei Mazza e de Vitor Hugo Gonçalves Corgosinho.
Na segunda fase da Operação Rota Andina, a PF prendeu 24 pessoas, cumpriu 55 mandados de busca e apreensão e obteve o sequestro de bens avaliados em aproximadamente R$ 78 milhões. As diligências ocorreram em Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Maranhão, Amazonas e no Distrito Federal.





