Brasil – Um dos primeiros atos do senador Flávio Bolsonaro ao desembarcar nos Estados Unidos, no domingo (5), foi voltar a criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No entanto, a postura vai na contramão da estratégia defendida pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que orientou o pré-candidato à Presidência a reduzir os ataques ao petista e concentrar o discurso na economia.

Segundo interlocutores do partido, Valdemar avalia que a rejeição de Lula já atingiu um patamar elevado e dificilmente crescerá nos próximos meses. Por isso, na visão do dirigente, insistir em críticas ao presidente deixaria de trazer ganhos políticos para a campanha.

“A grande vantagem que temos é Lula ter 48% de rejeição e não sair disso. Flávio não tem que falar mal do Lula, porque a rejeição dele já está alta e não vai crescer”, afirmou Valdemar a correligionários, segundo interlocutores.

Presidente do PL defende mudança de estratégia

Além de recomendar menos ataques ao presidente, Valdemar também defendeu uma mudança na pauta da pré-campanha.

Assim, o dirigente acredita que Flávio Bolsonaro deve priorizar temas ligados à economia e apresentar propostas ao eleitorado, em vez de concentrar o discurso em críticas ao governo federal.

Além disso, Valdemar ainda tenta convencer a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro a participar da campanha. Na avaliação do presidente do PL, ela continua sendo um dos principais ativos políticos da legenda e pode ampliar o alcance da candidatura.

Pesquisas mostram rejeição elevada

Enquanto isso, pesquisas recentes indicam que Flávio Bolsonaro também enfrenta índices elevados de rejeição.

Levantamentos dos institutos Datafolha e AtlasIntel, divulgados no fim de julho, apontaram que o senador registrou rejeição de 48% e 53%, respectivamente.

Por outro lado, Lula apareceu com 46% de rejeição na pesquisa Datafolha e 48% no levantamento da AtlasIntel.

Dessa forma, os números mostram que tanto o presidente quanto o pré-candidato do PL enfrentam elevados índices de rejeição, cenário que tende a influenciar as estratégias adotadas pelas campanhas ao longo da disputa eleitoral.