Um vídeo registrado durante a abertura do Fórum Permanente de Conselheiros e Ex-Conselheiros Tutelares, realizado em Duque de Caxias (RJ), mostra o momento em que uma mensagem é lida antes da apresentação da coreografia infantil “O Abraço de Deus”, encenada por um grupo de crianças.

O texto destacava o acolhimento e o amor de Deus, afirmando que “um abraço de Deus nunca prende, acolhe, não condena, transforma”, além de dizer que esse amor “cura feridas invisíveis” e renova as esperanças.

Na sequência, as crianças iniciaram uma apresentação de balé. Após a performance, a promotora de Justiça Elayne Rodrigues afirmou ter sido “assolapada por uma oração evangélica”. Ela declarou que a manifestação religiosa em um evento público a deixou “extremamente ofendida” e defendeu que a fé é um direito de caráter privado.

Em resposta, a Associação dos Conselheiros Tutelares do Estado do Rio de Janeiro (Acterj) divulgou uma nota afirmando que não houve qualquer oração durante a cerimônia de abertura. Segundo a entidade, o que ocorreu foi apenas uma apresentação artística e cultural, sem imposição de crença religiosa. A associação também citou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e uma recomendação do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) para sustentar a legalidade da atividade.

O episódio repercutiu entre autoridades e parlamentares. O deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ) classificou a reação da promotora como um caso de “cristofobia”. Segundo ele, não houve oração e, mesmo que houvesse, isso não justificaria a indignação manifestada pela representante do Ministério Público.