Brasil – A Associação do Orgulho LGBTQIAPN+ apresentou em maio deste ano uma queixa formal à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), em Washington, pedindo a prisão de Antônio Nardoni, pai de Alexandre Nardoni, como terceiro envolvido no assassinato de Isabella Nardoni. A denúncia apoia-se no depoimento de uma policial penal que afirmou ter ouvido Anna Carolina Jatobá dizer que o sogro ajudou a criar o álibi do casal e incentivou o crime. O documento também aponta omissão do Judiciário brasileiro na apuração dessa linha de investigação.

O caso remonta a 2008, quando Isabella, então com seis anos, foi jogada de um prédio na Zona Norte de São Paulo e morreu. O pedido à CIDH ressalta que, após 18 anos, as autoridades locais ainda não apuraram adequadamente essa nova hipótese de envolvimento de Antônio Nardoni.

O foco da denúncia é o testemunho de uma policial penal que acompanhou Anna Carolina Jatobá. Segundo ela, Jatobá afirmou que Antônio Nardoni participou da construção de um álibi para ela e Alexandre e teria estimulado o crime. A oficial ainda relatou que Isabella apresentava sinais vitais antes de ser jogada.

O relatório anexo informa que Anna Carolina não colaborou nas investigações porque ela e sua família são mantidos financeiramente por Antônio Nardoni. A petição critica o Judiciário brasileiro por não ter aprofundado essa alegação, sugerindo falhas que podem ter favorecido a ocultação de provas.

Outra linha da denúncia trata da situação de Jatobá após a saída do sistema prisional. A petição levanta a hipótese de que ela vive em cárcere privado, sob rígido controle de Antônio Nardoni, limitando sua autonomia mesmo após a liberdade.

O ativista que moveu a ação sustenta que esse controle seria mantido até expirar eventual prazo prescricional de supostos crimes atribuídos a Antônio Nardoni. A medida visaria garantir que Jatobá possa depor livremente antes de qualquer prescrição.

Antes de recorrer ao cenário internacional, a Associação do Orgulho LGBTQIAPN+ já havia questionado magistrados paulistas por meio de representações ao Conselho Nacional de Justiça. Agora, reivindica que a CIDH adote medidas cautelares, como a prisão preventiva de Antônio Nardoni para investigar a prática de crime hediondo, além do acompanhamento in loco do processo por integrantes da comissão.

O andamento do pedido junto à Comissão Interamericana ainda não tem prazo definido para decisão. Seus apoiadores acreditam que, caso acatadas, as medidas podem reabrir as investigações sobre o assassinato de Isabella Nardoni e comprometerem a estabilidade do veredicto alcançado pelas cortes brasileiras nas últimas décadas.