Brasil – O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou nesta sexta-feira (17) que quer fazer com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, uma “guerra da narrativa, guerra da verdade”.

Lula afirmou que quer provar ao mundo “quem está falando a verdade” sobre a nova tarifa de 25% imposta pelos EUA ao Brasil na última quarta-feira (15).

“Eu já falei três vezes para o presidente Trump que o Brasil não tem nenhum interesse de fazer guerra, nós aqui somos da paz. Agora a guerra que quero fazer com ele é a guerra da narrativa, é a guerra da verdade. Eu quero provar ao mundo quem está falando a verdade nessa guerra tarifária entre Brasil e EUA. Ele vai ter que aprender a fazer guerra com outra arma, que é a arma da palavra. Isso nós vamos ter que demonstrar.”

Essa foi a segunda declaração que Lula fala sobre a nova ofensiva do governo de Trump contra o Brasil desde o anúncio da nova medida.

Mais cedo, o presidente afirmou que só comentará o novo tarifaço depois que o presidente norte-americano Donald Trump se manifestar sobre o assunto.

Os Estados Unidos confirmaram nesta semana a aplicação de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, ampliando a pressão comercial sobre o Brasil.

Lula disse também que não permitirá que a sociedade seja enganada pelos Estados Unidos.

“Porque nós vamos mostrar que contra o Brasil ninguém ganha mentindo. Ou é mais verdadeiro que nós ou não vai enganar a sociedade brasileira”, prosseguiu.

Em outro momento do seu pronunciamento, o presidente enfatizou a posição de soberania do Brasil.

“Esse país precisa estar de cabeça erguida, porque esse país não aceita que nenhum outro país do mundo faça desaforo para o Brasil. Queremos respeito da mesma forma que damos respeito para todo mundo”, emendou.

Tarifaço

O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou nessa quarta-feira (15) a proposta de um novo “tarifaço” com uma extensa lista de isenções.

Itens como petróleo, café e carne bovina ficarão fora da nova tarifa de 25%. A medida entra em vigor em 22 de julho.

A decisão é resultado de uma investigação comercial do USTR que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países.

O governo Trump utilizou uma série de argumentos para aplicar o novo tarifaço contra o Brasil. Os fatores indicados pelo USTR variam entre os aspectos econômico, jurídico e até ambiental.

Apesar do tarifaço ser uma medida econômica, o governo Trump tem indicado que a medida tem caráter político.

Em resposta, o governo brasileiro passou a discutir medidas para reduzir os impactos sobre os setores mais afetados e acelerar a diversificação dos mercados de destino das exportações nacionais.

O chanceler Mauro Vieira afirmou que o Brasil busca uma solução por meio do diálogo, mas tem ressaltado que o país contestará restrições consideradas incompatíveis com as regras do comércio internacional.

Paralelamente, integrantes do governo avaliam instrumentos de apoio às empresas exportadoras e estratégias para ampliar vendas a outros mercados, incluindo parceiros da Ásia, da Europa e do Oriente Médio.

O governo também estuda aplicar a Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional no ano passado.

A Lei de Reciprocidade é um mecanismo que permite a um país aplicar a outra nação as mesmas medidas, restrições ou tarifas que sofreu por parte dela. Na prática, se um governo estrangeiro impõe sanções ou barreiras unilaterais “injustas”, o Brasil usa a norma para reagir na mesma moeda, adotando restrições equivalentes para reequilibrar as relações e proteger a economia.