
Brasil – O deputado italiano Angelo Bonelli afirmou, na quarta-feira (22), que autoridades italianas não sabem o paradeiro da deputada federal cassada Carla Zambelli (PL-SP). A declaração ocorreu em São Paulo, durante participação na sessão plenária da Câmara Municipal.
“A última vez que a Carla Zambelli foi vista em público foi numa igreja em Roma, em um encontro de apoio a ela”, disse Bonelli. “[Zambelli] está esperando o desfecho da eleição no Brasil. Se Flávio ganhar, pode ser que o governo futuro pense em fazer uma anistia para quem cometeu crimes como ela”, destacou.
A informação converge com a declaração dada pelos advogados de Zambelli no começo do mês, quando também afirmaram não saber o paradeiro da ex-deputada.
Ainda durante a sessão na Câmara, Bonelli criticou Zambelli por ter usado a cidadania italiana para tentar “fugir da Justiça brasileira”. Para o parlamentar europeu, ninguém é intocável. “Quando uma pessoa foge da Justiça, não é uma postura boa, especialmente quando essa pessoa tem uma responsabilidade pública”, afirmou.
Julgamento reiniciado
Carla Zambelli aguarda um novo julgamento na Corte de Roma sobre o seu pedido de extradição após o Tribunal ter anulado a decisão que havia autorizado a extradição da ex-parlamentar, determinando a realização de um novo julgamento sobre o caso.
Na prática, o procedimento volta à fase inicial dessa instância. Caberá aos magistrados italianos realizar um novo julgamento para decidir se os requisitos previstos na legislação italiana e nos tratados internacionais foram atendidos. Ainda não há data para a nova audiência, mas a defesa de Zambelli trabalha com a expectativa de que o caso seja retomado em setembro.
Em nota, a defesa de Zambelli classificou a decisão da Corte de Cassação como de “enorme relevância jurídica” e afirmou que foi reconhecida a “necessidade de reexame integral do processo de extradição à luz das garantias fundamentais asseguradas pelo ordenamento jurídico italiano”.
O pedido de extradição que será novamente analisado pela Justiça tem relação com a condenação de Zambelli pelos crimes de porte ilegal de arma e constrangimento ilegal, no episódio em que perseguiu um homem armada nas ruas de São Paulo, às vésperas do segundo turno das eleições de 2022.






