Brasil – O presidente Lula afirmou neste sábado (25/07) que o Brasil não aceitará ingerências estrangeiras no processo eleitoral, dando um recado direto a autoridades de outros países.

A fala ocorreu depois de o jornal Washington Post revelar que dois altos funcionários dos Estados Unidos planejavam viajar ao Brasil para questionar a credibilidade do sistema eleitoral brasileiro.

“E que não venha ninguém de fora querer meter o dedo nas nossas eleições. […] Quem quiser de fora se meter nas eleições brasileiras vai apanhar muito aqui nas eleições. Quem vai decidir o destino desse país são 157 milhões de eleitores”, disse o presidente.

O discurso foi proferido durante a convenção estadual do PT, em Campinas, no interior de São Paulo, que oficializou a candidatura de Fernando Haddad ao governo paulista.

Ao abordar o assunto, Lula reiterou o discurso de defesa da soberania nacional e disse que o país pretende preservar boas relações diplomáticas, sem abrir mão da autonomia de suas instituições.

“O aviso está dado: o Brasil é soberano. O Brasil quer manter relações com todos os países do mundo. O Brasil não quer guerra, o Brasil quer paz. O Brasil não quer ódio, o Brasil quer amor. O Brasil não quer fazer futrica, o Brasil quer trabalhar”, salientou o mandatário.

Vídeo relacionado: Lula diz que quem vier de fora tentar interferir em eleições do Brasil vai apanhar muito #shorts (Dailymotion)

Itamaraty nega visto

Depois da publicação da reportagem do Washington Post, o Blog do Valdo Cruz, no portal G1, informou que o Ministério das Relações Exteriores havia recusado os vistos diplomáticos solicitados.

A viagem ocorreria poucas semanas antes das eleições presidenciais brasileiras, marcadas para 4 de outubro.

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) teriam classificado, nos bastidores, a missão estadunidense como “escandalosa” e “inusitada”.

A avaliação é de que a iniciativa representaria uma tentativa de ingerência externa em um tema de competência exclusiva das instituições brasileiras. Integrantes do tribunal também defendem que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se pronuncie.

Assessores do Palácio do Planalto teriam interpretado, ainda, a iniciativa como uma tentativa de reforçar questionamentos sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas, em um momento em que integrantes da família Bolsonaro voltaram a levantar dúvidas sobre o processo eleitoral brasileiro.

Até o momento, não houve pronunciamento oficial do governo brasileiro.