
A imagem de Clara durante a defesa se espalhou por plataformas como Instagram, TikTok e X, principalmente por causa da frase escolhida para o título. A expressão faz referência aos casos de Elize Matsunaga e Eliza Samudio, dois crimes que tiveram ampla repercussão no Brasil.
Elize Matsunaga foi condenada pela morte e esquartejamento do marido, Marcos Matsunaga, em 2012. Ela recebeu pena de 19 anos, 11 meses e um dia de prisão e deixou a cadeia em 2022. Já Eliza Samudio foi assassinada em 2010, em um crime pelo qual o ex-goleiro Bruno foi condenado.
Segundo Clara, algumas pessoas interpretaram o título de forma equivocada e chegaram a acusá-la de fazer apologia ao crime antes mesmo de conhecer o conteúdo da pesquisa.
A estudante explica que a expressão está entre aspas justamente por representar uma frase que passou a circular nas redes sociais. Para ela, o objetivo do trabalho não é justificar o assassinato cometido por Elize, mas analisar o que está por trás da popularização desse tipo de discurso.
Em mais de 130 páginas, a pesquisa investiga a sensação de desamparo de mulheres diante das instituições e a forma como casos de violência são tratados pela sociedade, pela imprensa e pelas redes sociais.
Análise sobre exposição de crimes
A monografia também aborda o que Clara chama de “escandalização midiática” do processo penal. Segundo a pesquisa, determinados casos acabam sendo transformados em espetáculos, nos quais aspectos jurídicos dão lugar a narrativas simplificadas de heróis e vilões.
O estudo também analisa a construção da chamada “vítima ideal”. De acordo com a pesquisa, mulheres que não se encaixam em determinados padrões sociais podem enfrentar, além das consequências previstas pela Justiça, uma espécie de condenação moral pela opinião pública.
Clara compara ainda as trajetórias de Eliza Samudio e Elize Matsunaga. Apesar de ocuparem posições jurídicas diferentes nos respectivos casos, a pesquisa aponta semelhanças relacionadas às origens, à exposição da vida pessoal e às relações de poder envolvendo homens com maior influência econômica e social.
Para desenvolver a análise, a estudante utiliza conceitos de pesquisadores como Heleieth Saffioti, em estudos sobre violência estrutural e patriarcado, e Guy Debord, autor associado ao conceito de sociedade do espetáculo.
TCC recebeu nota máxima
A monografia foi aprovada com nota dez pela banca examinadora, que também sugeriu que a pesquisa seja transformada em um projeto de mestrado.
Atualmente, Clara trabalha na assessoria jurídica da Defensoria Pública do Ceará, no núcleo voltado ao enfrentamento da violência doméstica.







