Além de circular no meio político e manter proximidade com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a lobista Roberta Luchsinger também já tentou ingressar na política eleitoral. Em 2018, ela disputou uma vaga de deputada estadual em São Paulo pelo PT, mas terminou a eleição com 14.134 votos e não conseguiu se eleger.

Naquele pleito, o PT conquistou dez cadeiras na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). O último candidato da legenda a garantir uma vaga foi Jorge do Carmo, com 61.751 votos — mais de quatro vezes a votação obtida por Luchsinger. Ao final da apuração, ela ficou como 17ª suplente do partido.

Segundo a prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral, Roberta declarou ter recebido R$ 61.140,40 durante a campanha e informado despesas de R$ 47.180,75. Na relação de patrimônio, registrou apenas um apartamento avaliado em R$ 1,5 milhão, sem especificar a localização ou as características do imóvel.

Quem é Roberta Luchsinger

Conhecida no ambiente político de Brasília, Roberta Luchsinger é empresária, herdeira de um ex-acionista do banco Credit Suisse e ex-companheira do delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz.

O nome da lobista também aparece em investigações relacionadas a suspeitas de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo as apurações, ela teria prestado serviços a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, que está preso desde setembro de 2025.

Roberta mantém uma relação de amizade com Lulinha. Em abril de 2025, os dois foram citados em investigações sobre um suposto esquema envolvendo o INSS. Ambos negam qualquer participação nas irregularidades.

No curso das apurações, a Polícia Federal identificou ao menos seis viagens realizadas pelos dois, entre elas uma para Portugal, em junho de 2024.

Lulinha é investigado em três inquéritos, que envolvem, entre outros pontos, suspeitas de tráfico de influência e de recebimento de uma suposta mesada de R$ 300 mil relacionada ao Careca do INSS. As acusações são negadas.

Roberta afirmou que apresentou Lulinha a integrantes do grupo investigado por uma questão de cordialidade e negou ter atuado para intermediar negócios.

Mensagens encontradas em celulares apreendidos durante a Operação Sem Desconto também são citadas nas investigações. Segundo os investigadores, os diálogos indicariam que Roberta e Lulinha conversavam sobre negócios relacionados ao INSS, aos Correios e à Dataprev.

As autoridades também apontam que os dois teriam comemorado o avanço de determinadas operações e que Lulinha teria autorizado o prosseguimento de ações financeiras. As circunstâncias e o conteúdo dessas conversas são alvo das investigações.