
Brasil – Um ex-paciente da psiquiatra Maria Teresa Cabrera Bellini, condenada por tortura e considerada foragida pela Justiça, denunciou ter sido agredido por monitores de uma clínica de reabilitação para dependentes químicos em Ribeirão Preto (SP), em 2014. Segundo o advogado Luís Henrique de Souza Fallone, as agressões ocorreram por ordem da própria médica.
Fallone contou que foi internado na unidade para tratar abuso de substâncias, mas questionou os métodos utilizados pela médica durante uma consulta. Segundo ele, Maria Teresa determinou que os monitores fizessem uma “contenção”.
“Essa contenção foi iniciada com socos e pontapés e com enforcamento mecânico. E a doutora Maria Teresa gargalhava enquanto eu estava amarrado na maca”, relatou.
O advogado afirmou que não havia reagido fisicamente e apenas tentava contestar a conduta adotada. Ele descreveu o período na clínica como uma “mistura de campo de concentração com prisão de Guantánamo”.
A clínica, localizada no bairro Recreio das Acácias, na zona Sul de Ribeirão Preto, começou a ser investigada em agosto de 2014 após denúncias de ex-internos e familiares. Segundo o Ministério Público, pacientes relataram agressões com socos e pedaços de madeira, pessoas amarradas e jogadas no chão, castigos psicológicos e uso forçado de medicamentos controlados.
Maria Teresa era responsável técnica e sócia da unidade ao lado da irmã, Marluci Cabrera Bellini Henares, e do então cunhado, Djalma Antônio Henares Júnior. Segundo a acusação, a médica tinha conhecimento da utilização de um coquetel de medicamentos controlados para manter pacientes dopados e sem resistência.
Doze anos após o início das investigações, a condenação por tortura se tornou definitiva e os mandados de prisão foram expedidos. Marluci e Djalma foram localizados e presos em Portugal após entrarem na lista de procurados da Interpol. Maria Teresa é considerada foragida.
A defesa dos três condenados foi procurada pela reportagem e informou que não tinha nada a declarar.









