Brasil – A articulação política de Flávio Bolsonaro para a Presidência da República pode esbarrar em uma pauta que ganhou força entre os trabalhadores: o fim da escala 6×1. A coordenação da campanha pretende retardar a votação da proposta no Senado, mas integrantes do próprio PL já reconhecem, nos bastidores, que a oposição pode ser derrotada caso a PEC chegue ao plenário.

A estratégia é liderada pelo senador Rogério Marinho, líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio. A ideia é explorar as regras do regimento interno para impedir uma tramitação acelerada e exigir mais tempo para discussão.

Um dos principais argumentos será o intervalo mínimo de cinco sessões entre o primeiro e o segundo turno de uma PEC. A oposição pretende sustentar que uma mudança de grande impacto nas relações de trabalho não deveria ser votada às pressas, especialmente durante o período de campanha eleitoral.

O problema para o grupo de oposição é que, internamente, senadores do PL já trabalham com a possibilidade de aprovação da proposta. Na Câmara dos Deputados, parlamentares da legenda votaram majoritariamente a favor de medidas relacionadas ao tema, o que dificulta uma resistência frontal no Senado.

Pressão de Lula aumenta

Enquanto a oposição tenta ganhar tempo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou a pressão pública pela aprovação do fim da escala 6×1 sem redução salarial.

Nas redes sociais, Lula afirmou que a medida é um compromisso do governo e defendeu que trabalhadores tenham mais tempo para descansar, estudar, cuidar da saúde e conviver com a família.

A ofensiva coloca a proposta no centro da disputa política e aumenta a pressão sobre os senadores, principalmente aqueles que precisarão se posicionar diante de uma pauta com forte apelo popular.

PEC pode avançar nesta semana

O próximo movimento deve ocorrer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O senador Omar Aziz, relator da proposta, afirmou que pretende apresentar um parecer favorável ainda nesta semana.

A previsão é que o relatório seja analisado na CCJ e, posteriormente, possa avançar para o plenário. Se o calendário for mantido, a votação poderá representar uma importante vitória política para o governo Lula e, ao mesmo tempo, um teste para a oposição liderada pelo PL.

Além da PEC da escala 6×1, a oposição também tenta retardar a tramitação da PEC da Segurança Pública. O cenário coloca o Senado no centro de uma disputa política que mistura pautas trabalhistas, segurança e os interesses eleitorais de 2026.

Caso a proposta da escala 6×1 avance, o PL terá de decidir entre manter uma oposição mais dura ou acompanhar uma medida que já conquistou apoio significativo entre parlamentares e trabalhadores.