
Brasil – O candidato à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (PL), minimizou a relação com o banqueiro Daniel Vorcaro e declarou que não há irregularidades no patrocínio de R$ 61 milhões supostamente pagos para produção do filme Dark Horse, a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “Não tem absolutamente nada de errado em buscar financiamento para o filme do próprio pai. Não teve nenhuma contrapartida, nada de irregular. Foi um patrocínio”, declarou à “Rede Globo” nesta sexta-feira (28/8).
Prometendo apresentar prestação de contas sobre os valores dados por Vorcaro, Flávio disse que o contrato entre o banqueiro e a produtora do filme já estão públicos. “Já está apresentado”, afirmou. Contestado sobre a ausência do contrato, ele se contradisse e pontuou que apenas concedeu autorização para uso de sua imagem. “O contrato não cabe a mim”.
A descoberta de mensagens trocadas entre o candidato e o banqueiro Daniel Vorcaro com cobranças frequentes de depósitos milionários para patrocínio da cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL) expôs a relação de proximidade entre eles, negada por Flávio, e se tornou um dos principais desgastes políticos do senado. O fato ocorreu em maio a partir de reportagem do The Intercept Brasil, que apresentou, além de trechos das conversas no WhatsApp, também áudios de Flávio para o banqueiro.
As mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) foram trocadas entre 24 de setembro de 2025 e 16 de novembro de 2025, véspera da primeira prisão de Vorcaro no âmbito da operação Compliance Zero. No áudio encontrado pelos investigadores, Flávio cita o “momento complicado” em referência à negativa do Banco Central (BC) sobre o processo de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). O intuito da mensagem é cobrar Vorcaro sobre o dinheiro prometido para o filme.
“Sei que você está passando por um momento dificílimo aí, essa confusão toda, você sem saber exatamente como é que vai caminhar isso tudo. E, apesar de você ter dado liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, fico sem graça de ficar te cobrando, tá? Mas, enfim, é porque está em um momento muito decisivo aqui do filme”, afirma. Conforme o Intercept, Flávio pediu R$ 134 milhões de Vorcaro para o filme do pai. Cerca de R$ 61 milhões foram pagos pelo banqueiro entre fevereiro e maio de 2025.
A notícia fragilizou a relação entre o candidato, a bancada do Partido Liberal (PL) e um grupo de líderes evangélicos encabeçado pelo pastor Silas Malafaia. Contestado, Flávio negou falta de transparência e argumentou que o dinheiro pedido a Vorcaro não era ilícito e se tratava somente de financiamento para um filme privado. Dias após a primeira explicação, foi publicada a informação de que Flávio se encontrou com Vorcaro em São Paulo quando o banqueiro cumpria medidas restritivas, logo depois de sair da cadeia em novembro. Questionado novamente, o candidato admitiu a reunião e declarou que se encontrou com Vorcaro para encerrar as negociações e acordos entre eles.
Em julho, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), acatou pedido da PF com apoio da Procuradoria-Geral da República (PGR) para apurar o repasse de dinheiro feito por Vorcaro para a produção do filme. A polícia pretende identificar onde foram aplicados os R$ 61 milhões que o banqueiro deu para o longa metragem. O inquérito também apura se parte desse valor foi usada para bancar a permanência do deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos.
O filme sobre Jair Bolsonaro é, ainda, ponto central em outro inquérito da Polícia Federal aberto com autorização do STF. A investigação ocorre a partir da suspeita de que emendas parlamentares abasteceram a produção. O Instituto Conhecer Brasil (ICB), ligado à produtora do filme, também sofre varredura. A Polícia Civil de São Paulo investiga fraude em um contrato da Prefeitura de São Paulo com o ICB no valor de R$ 108 milhões. A suspeita é que parte desse recurso público pode ter sido desviada para financiar o filme.
Reação da internet
A postura do político na entrevista deu o que falar e virou assunto: “Ele chegou dizendo boa tarde”, debochou uma internauta. “Ele não consegue responder uma pergunta sem usar o nome de Lula”, afirmou mais uma pessoa. “Nossa, ele é fraquíssimo.. precisa escrever anotações na mão”, acrescentou a terceira.








