Manacapuru – O trabalhador Jone Salgado Martins, conhecido como “Nico”, morreu na tarde desta sexta-feira (28) após despencar de um guindaste de aproximadamente 12 metros de altura durante a montagem de uma alegoria para o Festival de Cirandas de Manacapuru, no interior do Amazonas.

Nico era trabalhador da Ciranda Flor Matizada, agremiação que se apresenta nesta sexta-feira no festival. Ele atuava na montagem da alegoria central quando sofreu o acidente.

Segundo informações apuradas pela equipe, o trabalhador teria pisado em uma parte da estrutura que não possuía ferro para sustentação. Ele perdeu o apoio e despencou do guindaste.

Durante a queda, Nico ainda teria batido em uma parte da estrutura. Com o impacto, o capacete se desprendeu e, na sequência, ele acabou batendo a cabeça diretamente contra o chão.

Trabalhador estaria com equipamento, mas não teria feito a fixação

Segundo apuração, Nico estava utilizando cinto de segurança, porém não teria chegado a prender o equipamento à estrutura antes de se movimentar pela alegoria.

A dinâmica deverá ser investigada pelas autoridades, que deverão esclarecer as circunstâncias da queda e verificar se os procedimentos de segurança para trabalho em altura estavam sendo cumpridos.

Bombeiros fizeram o socorro

Após a queda, equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) foram acionadas para realizar o atendimento.

Nico foi retirado do local e encaminhado para o Hospital Geral de Manacapuru, onde recebeu atendimento médico. Apesar dos esforços das equipes de socorro, ele não resistiu aos ferimentos e teve a morte confirmada na tarde desta sexta-feira.

A morte provocou comoção entre trabalhadores e pessoas que acompanhavam os preparativos para o festival.

Acidente envolvendo alegoria já marcou o Festival de Cirandas

O acidente desta sexta-feira também traz à memória uma tragédia ocorrida durante os preparativos do Festival de Cirandas envolvendo a Ciranda Flor Matizada.

Em 28 de agosto de 2022, um dos módulos alegóricos da agremiação despencou após o rompimento do guindaste que transportava a estrutura.

Na ocasião, 26 pessoas ficaram feridas, com fraturas e escoriações. 17 vítimas precisaram ser transferidas para Manaus, enquanto seis foram consideradas em estado grave.

Entre as vítimas estava a jovem Vivian Ramos, cirandeira que morreu após permanecer dias internada. Ela estava grávida de três meses.

Quatro anos depois, outro acidente grave durante a montagem de estruturas para o Festival de Cirandas volta a colocar em evidência os riscos enfrentados pelos trabalhadores que atuam na preparação das alegorias.

O local onde ocorreu o acidente desta sexta-feira foi interditado para atendimento da vítima, adoção de medidas de segurança e apuração das circunstâncias da ocorrência.

As autoridades deverão investigar o caso e esclarecer as condições de segurança utilizadas durante o trabalho que terminou com a morte de Jone Salgado Martins, o “Nico”.