
Brasil – Em meio à crise no Supremo Tribunal Federal (STF), representantes dos três poderes apareceram juntos no desfile cívico-militar do Dia da Independência, na Esplanada dos Ministérios, no centro de Brasília, que se iniciou pouco depois das 9h desta segunda-feira (7).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a primeira-dama Janja, os presidentes do STF, Edson Fachin, do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, sentaram lado a lado na cerimônia.
O evento foi marcado pelo clima de campanha a partir de gritos de apoiadores que ocuparam as arquibancadas montadas pela Esplanada dos Ministérios.
A plateia se animou mais pelo mascote do Sistema Único de Saúde (SUS), o Zé Gotinha, e os servidores da saúde, e também por lembranças à Copa do Mundo Feminina, que será sediada no Brasil no ano que vem.
Após a execução do Hino Nacional, o general de divisão João Felipe Dias Alves solicitou autorização para iniciar o evento. O desfile deste ano teve três eixos temáticos:
Com duas horas de duração, o desfile contou com a tradicional programação militar, com a participação de tropas do Exército, Marinha e Força Aérea.
Por ser ano eleitoral, a orientação era que o desfile tivesse tom mais sóbrio, para evitar qualquer tipo de irregularidade em meio ao período de campanha.
O público começou a chegar ao local antes das 6h30min, em meio aos preparativos e ensaios dos participantes do desfile. As arquibancadas cobertas já estavam cheias minutos antes de o evento ter início.
Antes da chegada de Lula, apoiadores presentes na Esplanada entoaram o canto “fim da 6×1”, em referência à proposta de emenda à Constituição que tramita no Senado Federal.
Também acompanham o desfile, posicionados na tribuna de autoridades, ministros de diversas pastas, incluindo Leonardo Barchini, da Educação; Gustavo Feliciano, do Turismo; Márcia Lopes, das Mulheres; Wolney Queiroz, da Previdência, e Dario Durigan, da Fazenda, além do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias.
Pronunciamento
No domingo (6), Lula fez um pronunciamento veiculado na televisão, no qual citou a defesa dos minerais críticos e a descoberta de petróleo na Margem Equatorial.
O presidente também fez uma defesa do livre comércio, dizendo que nenhum país pode tutelar o Brasil sobre com quem pode vender ou comprar. A frase é um recado para os Estados Unidos, que impôs ao Brasil duas tarifas em julho: uma de 25% e outra de 12,5%.
— Não podemos baixar a cabeça diante de potências estrangeiras que querem transformar novamente o Brasil em colônia — disse o presidente.
Lula destacou também o Marco Legal dos Minerais Críticos, aprovado pelo Senado nesta quarta-feira (2). O presidente disse que esses minerais são capazes de gerar desenvolvimento e riqueza no futuro do país.
No trecho sobre o petróleo na Margem Equatorial, Lula falou que os frutos da exploração vão desenvolver tecnologia e gerar empregos qualificados.
Em um trecho do discurso, Lula afirmou ser preciso que os brasileiros estejam “altivos” para impedir que o país volte a ser uma colônia de potências estrangeiras.
O presidente também falou sobre economia, defendendo que os brasileiros tenham uma “independência financeira”. Sem citar diretamente a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6×1, Lula disse que a população precisa “ter mais tempo para si mesmo e para sua família”.
Lula ligou o conceito da Independência ao entendimento de que o Brasil será soberano apenas quando criar oportunidades para todos e, em seguida, fará uma defesa do combate aos privilégios.








