A desembargadora Maria da Graça Amorim, do Tribunal de Justiça do Maranhão, manteve as prisões do prefeito de Turilândia, Paulo Curió (União Brasil), da vice-prefeita Tanya Karla (PRD) e de servidores ligados aos setores de licitações e compras do município. Eles são investigados por participação em um esquema que teria desviado R$ 56 milhões das áreas de Saúde e Assistência Social.

Os onze vereadores alvos da Operação Tântalo II continuam em prisão domiciliar, mas seguem exercendo atividades administrativas a partir da Câmara Municipal. Turilândia tem cerca de 33 mil habitantes e fica a pouco mais de 150 quilômetros de São Luís.

A decisão contraria parecer da Procuradoria-Geral de Justiça do Maranhão, que havia se manifestado favoravelmente à soltura dos investigados presos na operação deflagrada em 22 de dezembro. A posição do Ministério Público provocou forte reação interna no Gaeco, com pedido coletivo de exoneração dos dez promotores responsáveis pela investigação.

No pedido, os promotores afirmaram que o parecer enfraquece o combate ao crime organizado e desconsidera o conjunto de provas reunidas ao longo da apuração. A Procuradoria-Geral, por sua vez, classificou a saída dos membros como abandono das funções.

Entre os investigados, apenas a pregoeira do município, Clementina de Jesus Pinheiro Oliveira, obteve autorização para cumprir prisão domiciliar por motivos humanitários. Diagnosticada com câncer de útero, ela seguirá sob monitoramento eletrônico e poderá sair apenas para tratamento médico.

Ao fundamentar a decisão, a desembargadora destacou a existência de indícios consistentes de desvio de recursos públicos, enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro, direcionamento de licitações, superfaturamento de contratos e ocultação de documentos essenciais à transparência. Também chamou atenção para os indicadores sociais do município, que possui IDH considerado extremamente baixo, forte dependência de repasses federais e estaduais, infraestrutura precária, ausência de hospital e cobertura mínima de saneamento básico.

Segundo a magistrada, há indícios de que gestores públicos tenham enriquecido enquanto a população permanece sem acesso a serviços básicos, situação que, segundo ela, não pode ser tolerada pelo Judiciário. A desembargadora também criticou a postura do Ministério Público ao defender a soltura sem apresentar conclusão formal pela denúncia ou arquivamento do caso.

A Operação Tântalo II investiga um suposto esquema comandado pelo prefeito para desviar recursos públicos por meio de empresas de fachada. Durante a ação, foram apreendidos valores em dinheiro vivo que, inicialmente, somavam cerca de R$ 5 milhões. Em audiências recentes, os vereadores investigados optaram por permanecer em silêncio.

O nome da operação faz referência à figura mitológica Tântalo, usada como metáfora para descrever recursos públicos que, embora previstos em contratos, não teriam gerado benefícios reais à população.