
Brasil – A Polícia Civil de Santa Catarina deflagrou na manhã desta terça-feira (3) a Operação Happy Nation, desarticulando um esquema complexo de corrupção, peculato (rachadinha) e lavagem de dinheiro operado a partir do Legislativo de Blumenau. O principal alvo da ação foi o vereador Almir Vieira (PP), sargento da reserva do Exército e ex-presidente da Câmara Municipal, preso em flagrante após agentes da Divisão de Investigação Criminal (DIC) encontrarem maços de dinheiro em espécie em sua residência.
A operação não se limitou ao Vale do Itajaí. O esquema, que segundo o inquérito drenava recursos públicos através da coação de servidores e fraudes em contratos, possuía ramificações em outras três cidades estratégicas: Itapema, Balneário Camboriú e Videira. Ao todo, foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão, revelando uma teia de influência que ultrapassa as fronteiras municipais e envolve empresários e agentes públicos.
O “Modus Operandi”: Coação e Dinheiro Vivo
De acordo com a apuração da Polícia Civil, o gabinete do vereador funcionava sob uma lógica de arrecadação ilícita sistêmica. As investigações, iniciadas em 2024, apontam que servidores comissionados eram coagidos a devolver parcelas significativas de seus vencimentos sob ameaça de exoneração.
No entanto, o que difere este caso de outras “rachadinhas” é a sofisticação na lavagem de capitais. O dinheiro recolhido não era apenas para enriquecimento pessoal imediato, mas supostamente reinvestido em bens e dissimulado através de empresas de fachada nas cidades alvo da operação.
Durante as buscas, além dos valores em posse de Almir Vieira — estimados preliminarmente em cerca de R$ 30 mil — outros dois investigados foram detidos também portando grandes somas em espécie. A prática de manter dinheiro vivo é um método clássico para evitar o rastreamento bancário pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).







