Os alertas de desmatamento registraram uma queda significativa na Amazônia Legal e no Cerrado entre agosto de 2023 e janeiro de 2024. Segundo dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Amazônia teve uma redução de 35% nos alertas, totalizando 1.324 km², enquanto o Cerrado apresentou queda de 6%, com 1.905 km².

Os números foram divulgados nesta quinta-feira (12) após a 6ª reunião ordinária da Comissão Interministerial Permanente de Prevenção e Combate ao Desmatamento. O colegiado, reativado em 2023, reúne 19 ministérios e é presidido pela Casa Civil.

Degradação florestal com recuo expressivo

Na Amazônia, os indicadores de degradação florestal apresentaram um recuo ainda mais acentuado, passando de 44.555 km² para 2.923 km², o que representa uma diminuição de 93%.

O Deter funciona como um sistema de alertas diários para apoiar as ações de fiscalização ambiental, diferindo do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), que mede a taxa anual consolidada de desmatamento. De acordo com o Prodes, entre 2022 e 2023, o desmatamento acumulou queda de 50% na Amazônia e de 32,3% no Cerrado.

Expectativa de menor taxa histórica

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, expressou otimismo com os resultados. “Há uma expectativa de chegarmos em 2026 à menor taxa de desmatamento da série histórica na Amazônia se continuarmos com esses esforços”, afirmou.

Silva destacou que os resultados refletem políticas públicas baseadas em dados científicos e ressaltou que o desempenho ambiental não comprometeu o crescimento econômico. “O desmatamento caiu e o agronegócio continua crescendo, abrimos 500 novos mercados para a agricultura brasileira, fechamos o acordo com da União Europeia com o Mercosul numa demonstração de que políticas públicas consistentes, bem desenhadas e implementadas dão bons resultados”, declarou.

Pantanal apresenta alta nos alertas

Em contrapartida, o Pantanal registrou um aumento de 45,5% nos alertas de desmatamento entre agosto de 2023 e janeiro de 2024, passando de 202 km² para 294 km². Apesar dessa alta recente, a comparação entre 2023 e 2024 mostra uma queda de 65,2% no bioma.

Fortalecimento da fiscalização como fator chave

O Ministério do Meio Ambiente apontou o fortalecimento das ações de controle como um dos principais motivos para a redução dos alertas. Segundo a pasta, em comparação com 2022, as ações de fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) cresceram 59%, e as do Instituto Chico Mendes de Conservação Ambiental (ICMBio) aumentaram 24%.

As áreas embargadas subiram 51% (Ibama) e 44% (ICMBio). O número de operações de fiscalização ambiental na Amazônia avançou quase 148%, com as ocorrências registradas passando de 932 para 1.754. Houve também aumento relevante nas apreensões de minérios (170%) e de madeira (65%).

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, enfatizou o papel do monitoramento científico. “Toda a nossa cadeia de infraestrutura tecnológica nos dá a precisão necessária para subsidiar as políticas públicas de forma assertiva, provando que não há preservação sem investimento em conhecimento. Estamos mostrando ao mundo que o Brasil não apenas monitora seus biomas, mas utiliza a ciência como ferramenta de cuidado e soberania”, concluiu.

Com informações da Agência Brasil