Duas pessoas foram presas em uma operação policial deflagrada em São Paulo e Santa Catarina nesta terça-feira (23), que visa desarticular um grupo criminoso com ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A investigação aponta que o grupo utilizava uma plataforma de vendas de produtos eletrônicos para movimentar cerca de R$ 1,1 bilhão em apenas sete meses, em um esquema de lavagem de dinheiro.

PCC como plataforma de serviços

Segundo o delegado titular da 3ª Divisão de Investigações Gerais (DIG), Fernando David, a participação direta do PCC no esquema é notável. “Existe uma torpeza, para algumas empresas, alguns empresários, de se conectar com o PCC, que virou uma verdadeira plataforma de serviços para quem quer aumentar os lucros”, declarou o delegado em entrevista coletiva.

Esquema de lavagem de dinheiro

A investigação revelou que as vendas eram realizadas pela plataforma principal da empresa Knup no Brasil, mas os pagamentos eram desviados para empresas de fachada, que atuavam como contas de passagem. Notas fiscais eram emitidas por outras companhias, configurando uma sistemática confusão patrimonial com o objetivo de fraudar o fisco, credores e o sistema judiciário.

Asfixia financeira como objetivo

O promotor Ivan Agostinho, do Ministério Público de São Paulo (MPSP), explicou que o objetivo da operação é a “asfixia financeira” do grupo. “É o único caminho em que a gente consegue atingir as organizações criminosas”, afirmou.

Bloqueio de bens

O Grupo de Atuação Especial de Persecução Patrimonial (Gaepp), do MPSP, obteve o sequestro de valores que podem chegar a R$ 1,1 bilhão. Entre os bens bloqueados estão R$ 25 milhões em imóveis de luxo, veículos, dezenas de contas bancárias em nome de laranjas e diversas aplicações financeiras.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que, embora a investigação atual se concentre na lavagem de capitais, os crimes fiscais identificados serão formalmente comunicados aos órgãos competentes para as devidas providências.

Com informações da SSP e MPSP