O Bloco Aparelhinho comemora 15 anos de existência neste sábado (14), celebrando sua trajetória como um movimento de apropriação do carnaval de rua e ressignificação do espaço público em Brasília. Nascido de um som eletrônico em um carrinho alegórico, o bloco se consolidou como uma expressão cultural que celebra a cidade e a folia.

“É puro amor à cidade, às ruas da cidade, às avenidas ocupadas e coloridas; é vontade mesmo de ver o carnaval de rua acontecendo aqui”, declarou o DJ Rafael Ops, um dos fundadores, em entrevista à Rádio Nacional FM de Brasília. Ele compara a iniciativa a uma fanfarra que percorre as ruas com seu som.

Da oficina da UnB ao carrinho tecnológico

O primeiro carrinho do Aparelhinho foi construído na oficina de marcenaria do Instituto de Artes da Universidade de Brasília (UnB), idealizado por Rafael Ops, então estudante de artes cênicas, em parceria com o arquiteto Gustavo Góes. Inicialmente, era um objeto simples, com quatro caixas de som, pensado para ser empurrável e ocupar diversos espaços urbanos.

“Ele não surgiu como um trio elétrico, como um palco, ele surgiu como um objeto empurrável que pode ocupar marquise, túnel, subir em calçada, ele vai para onde a gente imaginar”, explicou Ops. O sucesso foi imediato, com o público abraçando o projeto logo em seu primeiro ano.

Ao longo dos anos, o carrinho evoluiu para uma estrutura mais tecnológica e visualmente marcante, com as cores azul e laranja do bloco. Já foi feito de madeira, ferro, teve versão online durante a pandemia, foi charrete, trio e até carreta.

Um movimento inclusivo e democrático

Atualmente, o Aparelhinho conta com o apoio financeiro da Secretaria de Cultura do Distrito Federal e envolve cerca de 100 pessoas na organização. O bloco se orgulha de ser um espaço democrático e inclusivo, recebendo foliões de todas as idades, incluindo crianças, e pessoas com dificuldade de locomoção.

Bruna Daibert, publicitária que frequenta o bloco desde a primeira edição em 2012, ressalta a importância de formar novos públicos para o carnaval. “É o bloco em que encontro meus amigos, que a gente está em casa, que trago minha filha, que eu faço questão de vir”, disse, destacando que a folia deve ocupar toda a cidade. “Acho que a gente tem que ocupar a cidade inteira, é uma vez por ano. Deixa o carnaval acontecer, é tão bonito, tão colorido, tão feliz”, completou.

Apesar de defender a ocupação urbana, Fabiana Montandon, dentista que acompanha o bloco há 10 anos, apontou desafios de acessibilidade nas ruas do Setor Bancário Sul, como buracos na pista e falta de rampas. Ela, que estava presente mesmo com a perna imobilizada, ressaltou a importância de os espaços serem realmente acessíveis, conforme anunciado pelos organizadores.

Repertório musical diverso

O repertório musical do Aparelhinho é uma fusão de ritmos elaborada pelos DJs fundadores e convidados. A linguagem sonora é de base eletrônica, mas abrange remixes de músicas de carnavais brasileiros, frevos, axés, sambas-enredos, brega funk, piseiro, rock and roll e diversas vertentes da música eletrônica mundial.

O cozinheiro Iago Roberto, que curte o carnaval brasiliense pela primeira vez, elogiou a energia do bloco. “Não escuto [música eletrônica] no dia a dia, mas estou curtindo. Só a energia da galera nesse lugar já está maravilhosa”, afirmou.

Com informações da Agência Brasil