
O Bloco Mulheres Rodadas desfilou na zona sul do Rio de Janeiro nesta quarta-feira (18) com uma pauta forte: a luta pela vida das mulheres. Fantasias e performances abordaram desde as tentativas de assassinato que inspiraram a Lei Maria da Penha até o alarmante recorde de feminicídios registrado no país.
Uma das participantes, a artista Luciana Peres, de 46 anos, chamou a atenção com uma fantasia que remetia aos choques sofridos por Maria da Penha Fernandes, vítima emblemática da violência doméstica. “Eu não consegui pensar em outro assunto que não fosse a luta pela vida das mulheres”, declarou Peres, refletindo sobre os 20 anos da Lei Maria da Penha, a serem completados em 2026, em contraste com o recorde de feminicídios em 2025.
Segundo o Ministério da Justiça e da Segurança Pública, o Brasil contabilizou 1.518 vítimas de feminicídio no ano passado. “A gente precisa de políticas públicas, senão, todos os dias, mulheres vão morrer”, enfatizou a artista e produtora cultural.
Performances e música como forma de denúncia
Desde 2015, o Bloco Mulheres Rodadas utiliza o carnaval para discutir assédio, violência doméstica e feminicídio. Através de fantasias, placas e performances, o grupo busca conscientizar o público. A música “Geni e o Zepelim”, de Chico Buarque, por exemplo, é usada para simular a violência transfóbica, tema que também coloca o Brasil no topo do ranking de assassinatos de pessoas trans.
A solidariedade entre as mulheres é outro ponto abordado nas apresentações, com momentos em que uma participante puxa a outra do chão, simbolizando a união e o apoio mútuo.
Seleção musical exalta a força feminina
A lista de músicas executadas pelas ritmistas é criteriosamente escolhida para exaltar a condição feminina. Simone Ferreira, regente e coordenadora de percussão, explicou que o repertório inclui intérpretes e compositoras mulheres, além de canções que celebram a força feminina, casadas com as performances do bloco. Entre as músicas estão clássicos como “Abre Alas” (Chiquinha Gonzaga), “Vai, Malandra” (Anitta), “Ama Sofre e Chora” (Pabllo Vittar), “Vermelho” (Fafá de Belém), e sucessos internacionais como “Toxic” (Britney Spears) e “Girls Just Want Have Fun” (Cyndi Lauper).
Homenagens internacionais e apelo por apoio
O bloco atraiu este ano turistas e artistas estrangeiros. A pernalta francesa Lucie Cayrol homenageou a advogada Gisèle Halimi, destacando seu papel na despenalização do aborto na França. Ela também mencionou o caso de Gisèle Pelicot, vítima de violência doméstica por mais de dez anos, cujo agressor foi condenado em 2024.
Renata Rodrigues, jornalista e coordenadora do bloco, ressaltou a atualidade do tema mesmo após dez anos de fundação do coletivo. “Nós somos um dos poucos coletivos, no Rio, que discute a violência contra a mulher no carnaval”, afirmou, cobrando apoio do poder público e da iniciativa privada para disseminar a mensagem.
O folião Raul Santiago também destacou a importância do envolvimento masculino no combate à violência. “Os homens precisam estar junto, precisam mudar a atitude e a forma de pensar, ser antimachista, entender os lugares sociais e defender a igualdade”, disse.
Com informações da Agência Brasil







