
CPI da Meta: Lucros com crimes e falta de respostas marcam sessão
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a atuação de empresas de tecnologia na internet questionou nesta terça-feira (data fictícia) a Meta, dona do Facebook e Instagram, sobre seus lucros com anúncios relacionados a atividades criminosas e a capacidade da empresa em combater a exploração sexual de crianças e adolescentes em suas plataformas.
Meta alega confiança e proteção, mas é cobrada sobre documentos internos
Yara Alves, diretora de política econômica da Meta para América Latina, afirmou que a confiança nas plataformas é essencial para os negócios da empresa e que o objetivo é proteger usuários e empresas contra práticas enganosas. No entanto, a executiva foi questionada sobre um vazamento de documentos internos, noticiado pela agência Reuters em dezembro de 2025, que indicaria que a Meta orienta seus gestores a evitar regulamentações estatais que visam derrubar anúncios de golpes na internet. “Trabalho com esse tema dentro da empresa há mais de dois anos e meio, nunca vi nenhum documento, e não me lembro de ter visto nenhum documento que trouxesse esse tipo de interesse ou de abordagem”, respondeu Alves.
Exploração sexual de crianças: Meta não garante capacidade de detecção
O relator da CPI, Alessandro Vieira, indagou sobre a capacidade da Meta em detectar e impedir a divulgação de imagens de abuso sexual de crianças e adolescentes. Ele citou um relatório da ONG Human Trafficking Institute de 2020, que aponta o Facebook como a plataforma mais utilizada por traficantes sexuais para aliciar e recrutar crianças, correspondendo a 65% dos casos. A diretora da Meta, Yara Alves, admitiu não saber responder com precisão se as ferramentas da empresa são suficientes para impedir a transferência de fotos de pornografia infantil.
Prioridade no combate à exploração e falta de respostas específicas
Apesar da incerteza, Alves destacou que o combate à exploração sexual de crianças e adolescentes é uma prioridade para a Meta, que implementou medidas para controle parental de contas de adolescentes. “O tema de crianças e adolescentes dentro da Meta é um tema de altíssima prioridade e conta com diversos times dedicados”, afirmou. A executiva também não soube responder a questionamentos sobre limites da criptografia e o uso de algoritmos para favorecer conteúdos políticos específicos.
Diretor-geral da Meta no Brasil será convocado novamente
Diante da falta de respostas sobre temas cruciais, o relator da CPI solicitou a reconvocação do diretor-geral da Meta no Brasil, Conrado Leister. “Novamente, em benefício desse princípio de boa-fé, que é tão bom nas relações, vamos entender que foi um erro de avaliação e vamos reiterar a convocação do diretor-geral”, declarou o relator.
Com informações da Agência Brasil








