Entidades condenam coação e violência contra jornalista em Brasília

Sindicatos e coletivos ligados ao jornalismo repudiaram, em nota oficial, um episódio de violência ocorrido na tarde de terça-feira (23) contra a jornalista Manuela Borges, do Portal ICL Notícias. O incidente aconteceu no Salão Verde da Câmara dos Deputados, em Brasília.

As entidades consideraram a ação “inaceitável e absurdo”, apontando para uma “grave violência” e “coação” profissional. A jornalista estava no exercício de sua função dentro de uma Casa legislativa.

Cercada e intimidada por grupo de servidores

Segundo relatos, Manuela Borges foi cercada e intimidada por cerca de 20 servidores de gabinetes parlamentares. A hostilização ocorreu após a jornalista questionar parlamentares do PL sobre a instalação de outdoors no Distrito Federal com imagens de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis (PL-DF).

A repórter cobria uma entrevista coletiva de parlamentares opositores ao governo federal. Durante o ocorrido, pessoas filmavam sem credenciamento e, após a pergunta sobre os outdoors, simpatizantes dos políticos teriam se aproximado excessivamente com celulares e gritado em tom de intimidação.

“Nosso papel é o de fazer perguntas. Doa a quem doer. Não podemos sofrer violência por causa disso”, declarou a jornalista em entrevista à Agência Brasil.

Violência de gênero e ataque à liberdade de imprensa

Para as entidades signatárias da nota – Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF), Coletivo de Mulheres Jornalistas do DF, Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ) e Comissão de Mulheres Jornalistas da FENAJ –, o cerco agressivo contra uma mulher jornalista visa silenciar questionamentos e fragilizar a presença feminina em espaços de poder.

“A liberdade de imprensa é pilar fundamental da democracia e não pode ser cerceada por métodos de coação física e psicológica praticados por servidores públicos pagos com o dinheiro da sociedade”, ressaltou a nota.

A violência foi vista como um ataque frontal contra a categoria, a profissão e o próprio jornalismo.

Polícia Legislativa não interveio

A nota também aponta que a Polícia Legislativa, presente no local, não interveio para garantir a integridade da jornalista durante o episódio de intimidação.

Exigência de apuração e responsabilização

As entidades pedem à presidência da Câmara dos Deputados a imediata e rigorosa apuração do caso. Exigem a “responsabilização administrativa e legal de todos os servidores e parlamentares envolvidos na violência contra a jornalista”.

Também são solicitadas medidas de segurança que “garantam o livre exercício da profissão por jornalistas em todas as dependências do Congresso Nacional”. Representantes da categoria farão uma representação formal à Presidência da Câmara, com imagens e vídeos para identificação dos agressores.

Jornalista não se intimida

Apesar do ocorrido, Manuela Borges afirmou que não se intimidará e continuará sua cobertura na Câmara dos Deputados, onde atua há mais de 20 anos. Em 2014, ela já havia sido ofendida pelo então deputado federal Jair Bolsonaro.

A reportagem buscou posicionamento do Partido Liberal e da presidência da Câmara, que ainda não se manifestaram.

Com informações da Agência Brasil