PL antifacção pode falhar em atingir o “andar de cima” do crime, alerta ex-secretário

O Projeto de Lei Antifacção, recentemente aprovado pela Câmara dos Deputados, corre o risco de não alcançar as altas esferas do crime organizado no Brasil. Segundo Mario Sarrubbo, ex-secretário nacional de Segurança Pública, a versão atual do texto dificulta a punição das lideranças financeiras e estratégicas das facções.

Dificuldades financeiras e políticas na nova lei

Sarrubbo explicou que, se sancionada como está, a lei “atingirá apenas a base das organizações criminosas”, excluindo aqueles que ele chama de “comandantes” e “financiadores”. Uma das principais críticas reside na exclusão da taxação das apostas esportivas (bets) para o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP).

“A Câmara não quis dar recursos para esse fundo por razões políticas”, afirmou Sarrubbo em entrevista à Rádio Nacional. Ele lamentou a perda de cerca de R$ 30 bilhões que seriam destinados aos estados para o combate ao crime organizado.

Foco em crimes violentos ignora o “coração financeiro”

A proposta original visava atingir “os que atuam na Faria Lima e em Fintechs; quem financia essas organizações criminosas”, conforme Sarrubbo. Ele exemplificou com a Operação Carbono Oculto, que desvendou um esquema de lavagem de dinheiro para facções como o PCC.

“A Faria Lima não pega fuzil”, disse o ex-secretário, ressaltando que a estratégia do governo é asfixiar financeiramente as facções. A ideia é agir com consistência e baixa letalidade após cortar o fluxo financeiro, desorganizando e enfraquecendo as organizações criminosas antes de operações ostensivas.

Com informações da Agência Brasil