O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou nesta sexta-feira (27) que a crise envolvendo o Banco Master representa um forte impacto no sistema financeiro brasileiro, mas não configura um risco sistêmico para a economia. Segundo Haddad, o problema estaria restrito ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), mantido pelas instituições financeiras para cobrir perdas em caso de quebras.

“Não tem risco sistêmico porque está concentrado no fundo garantidor de crédito. Machuca o Fundo Garantidor de Crédito para valer. Está pegando aí de 30 a 50% do volume do fundo, mas está restrito a isso. Agora, isso é uma pancada como nunca se viu na história do sistema financeiro brasileiro”, afirmou Haddad em entrevista ao Flow Podcast.

Maior fraude bancária da história

Apesar de reiterar a ausência de risco sistêmico, o ministro classificou o caso do Banco Master como “a maior fraude bancária da história do Brasil”. Ele assegurou que o governo federal está “100% alinhado em levar isso [as investigações] até o fim e dentro da lei”.

Revisão de normas pelo Banco Central

Haddad informou que o Banco Central iniciou uma revisão das normas de segurança do sistema financeiro para prevenir que situações semelhantes à do Banco Master voltem a ocorrer no país. “As brechas que permitiram ao Banco Master fazer essa operação não podem existir mais. Algumas normas já foram alteradas pelo Banco Central”, disse.

Encontro com o presidente Lula

O ministro esclareceu que não conhece Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não teve agenda oficial com ele. Haddad relatou que Lula apenas se encontrou com o banqueiro, que se queixou de perseguição por grandes bancos. Na ocasião, Lula teria afirmado que seu governo não persegue nem favorece ninguém, apenas cumpre a lei.

“Parece que o presidente do Banco Central foi chamado [ao encontro] e o presidente Lula disse na frente dos dois: ‘Olha, não existe isso no meu governo, não vai ter perseguição e nem favorecimento. O que quer que aconteça com teu banco, vai ser uma decisão técnica de um órgão independente do governo, que é o Banco Central, que tem autonomia para tomar a decisão que quiser. Não haverá pressão nem para um lado nem para o outro. O que tiver que acontecer vai acontecer na forma da lei’. Essa foi a única frase que o presidente falou, segundo o relato de quem estava lá”, concluiu Haddad.

Com informações da Agência Brasil