Organizações como a ActionAid e parceiras lançaram um projeto de conscientização ambiental que dá voz a crianças e jovens afetados pelo racismo ambiental em diversas regiões do Brasil. A iniciativa resultou na publicação “Pequenos Grandes Saberes: Um Glossário Climático pelo Olhar de Crianças e Adolescentes”.

O conceito de racismo ambiental se refere às injustiças sociais e ambientais que impactam de forma desproporcional grupos étnicos específicos e populações vulneráveis. Comunidades ribeirinhas, favelas e reservas indígenas estão entre as mais atingidas por essas problemáticas.

Glossário como ferramenta de expressão

A publicação reúne relatos e ilustrações de crianças e adolescentes de 7 a 17 anos, que vivem em territórios marcados pela falta de saneamento básico, calor extremo, alagamentos e outras injustiças socioambientais. Cerca de 350 moradores de seis estados brasileiros contribuíram para o glossário, em um processo que durou três anos.

Relatos que nomeiam injustiças

Carolina Silva, especialista em Educação e Infâncias e responsável pela metodologia do projeto, explica que a ideia surgiu da percepção das crianças e jovens de que algo estava errado em seus territórios, mas sem as palavras para descrever essas injustiças. “O glossário nasce dessa necessidade de expressão e mostra a potência das nossas crianças e adolescentes e a riqueza dos saberes que compartilham”, afirma.

O personagem Akin, presente no livro, aprende sobre o mundo através das descrições dos jovens. Por exemplo, para a letra ‘A’, Akin entende que agrotóxico é visto como algo ruim, que ação comunitária está ligada ao cuidado e que água nem sempre é um recurso acessível e limpo.

Na letra ‘E’, a energia elétrica é descrita de forma desigual: “a luz demora pra voltar porque somos pobres, na zona sul eles têm dinheiro e não demora [para restabelecer a falta de energia]”. Já para a letra ‘I’, inclusão é definida como “aceitar todos na brincadeira” ou “ter uma comida legal e boa”.

Metodologia para replicação

A metodologia desenvolvida pela ActionAid e pelas organizações parceiras, como Redes da Maré, UNAS Heliópolis e Giral, foi documentada e disponibilizada para ser replicada em escolas, projetos sociais e políticas públicas. Ana Paula Brandão, diretora Programática da ActionAid Brasil, ressalta a importância de “levar a educação ecológica ou ambiental, a partir da perspectiva antirracista, como uma contribuição para a educação brasileira”.

Com informações da Agência Brasil