Prioridades da presidência brasileira da COP em foco

A menos de oito meses da realização da 31ª Conferência das Partes (COP31), em Antália, na Turquia, o embaixador André Corrêa do Lago, à frente da presidência brasileira no espaço multilateral da ONU para ação climática, trabalha para concluir a elaboração de dois importantes “mapas do caminho” (roadmaps). Um deles visa o fim do desmatamento global e o outro, a transição energética para longe dos combustíveis fósseis. Ambos são cruciais para uma queda expressiva nas emissões de gases de efeito estufa.

O embaixador destacou que a COP31, embora organizada pela Turquia, terá a presidência da negociação pela Austrália, e que há um esforço conjunto para garantir que os legados da COP30, realizada em Belém, sejam plenamente absorvidos na preparação do evento na Turquia.

Fase de implementação e o papel dos roadmaps

Corrêa do Lago ressaltou que as COPs entram em uma nova fase, a de implementação, onde a negociação continua, mas o foco se volta para a efetividade das ações. “Temos que fazer o máximo, no pouco tempo que a ciência nos diz que temos”, afirmou.

A iniciativa do “mapa do caminho” para a transição energética foi lançada pelo presidente Lula. Embora a Colômbia tenha liderado um encontro sobre o tema, o embaixador esclareceu que a liderança da ideia é brasileira. Ele explicou que a proposta visa implementar uma decisão de Dubai (COP28), que mencionou a ideia de transição.

Desafios na discussão de energia e a posição dos EUA

O embaixador apontou o impacto econômico e geopolítico como um dos principais obstáculos para o avanço da agenda climática, especialmente no tema de energia. “Você acaba tendo a discussão energética muito dividida entre várias entidades e essa dificuldade de discutir energia leva a várias consequências”, explicou.

Sobre a posição dos Estados Unidos, Corrêa do Lago observou que o governo americano atual parece focado em manter o status quo da produção energética tradicional, com uma forte ligação à geopolítica do petróleo e gás. Em contraste, a China tem apostado claramente na transição energética.

A busca por minerais críticos e terras raras pelos EUA, segundo o embaixador, pode ter interpretações diversas, desde a necessidade de domínio sobre esses materiais até a manutenção de vantagens competitivas.

Outras prioridades e o financiamento climático

Além dos roadmaps, a presidência brasileira foca em completar a estrutura de financiamento climático para US$ 1.3 trilhão ao ano. O objetivo é aprimorar os números e as fontes de recursos para os países em desenvolvimento, buscando maior clareza e confiança no processo de negociação.

O Acelerador, uma iniciativa para ir além da negociação e acelerar a implementação do Acordo de Paris, também é uma prioridade. O tema da adaptação e o fortalecimento da Agenda de Ação, iniciada na COP30 de Belém, também estão no centro dos esforços, visando torná-la um instrumento mais eficaz de implementação.

A dificuldade em quantificar o fluxo de financiamento climático e separar o que vai para clima e biodiversidade foi admitida. O embaixador mencionou o trabalho com o IHLEG (Grupo Independente de Especialistas de Alto Nível em Mudanças Climáticas) e um Conselho de Economistas criado para a COP30 para esclarecer esses números, essenciais para a construção de confiança e consenso.

Com informações da Agência Brasil