Alta do petróleo ligada ao Estreito de Ormuz

A recente alta nos preços do petróleo está diretamente ligada às tensões geopolíticas no Oriente Médio, com analistas apontando o Estreito de Ormuz como ponto central de preocupação. Esta passagem marítima, por onde transita cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás, é vital para o transporte da commodity vinda de grandes produtores como o Irã, Arábia Saudita e Iraque.

Segundo o economista Rodolpho Sartori, da Austin Rating, o fechamento do Estreito de Ormuz provoca uma queda drástica na oferta, resultando em aumentos quase imediatos nos preços. Ele ressalta que o barril do Brent chegou a subir 13%, superando US$ 80, evidenciando a volatilidade em cenários de conflito.

Logística e a preocupação global

A preocupação global, segundo o gerente da tesouraria do Banco Daycoval, Otávio Oliveira, reside mais na logística do que na produção em si. A OPEP+ já sinalizou aumento na produção para compensar eventuais retiradas do Irã do mercado. No entanto, a interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz, um ponto estratégico e de fácil bloqueio, pode gerar um caos nas cadeias produtivas.

Mesmo o Brasil, exportador de petróleo, pode sentir os efeitos com o encarecimento dos derivados importados, segundo Oliveira. A instabilidade logística pode impactar diversas cadeias produtivas globalmente.

Impacto na inflação e juros

Um conflito prolongado e a consequente alta do petróleo podem levar a um repasse de preços ao consumidor, gerando um aumento na inflação. Essa possibilidade pode influenciar as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

Otávio Oliveira sugere que o corte na taxa Selic, inicialmente previsto para março, pode ser menor do que o esperado. Em vez de 0,50 ponto percentual, o corte poderia ser de apenas 0,25 p.p., impactando a atividade econômica e a geração de empregos. Atualmente, a Selic está em 15% ao ano.

Dólar em alta: Fuga do risco e incerteza

O dólar interrompeu uma trajetória de queda e apresentou alta, superando R$ 5,20. Esse movimento é explicado pela “fuga do risco”, onde investidores buscam segurança em economias mais consolidadas, vendendo ativos de países emergentes, como o real, e comprando moedas fortes como o dólar e o iene.

Rodolpho Sartori considera o cenário complexo, apontando que, embora incertezas globais costumem fortalecer o dólar, a gestão geopolítica atual pode ter um peso contrário. Ele estima que a moeda americana oscilará entre R$ 5,20 e R$ 5,25 nos próximos dias.

Com informações da Agência Brasil