O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não cumpriu nenhuma das metas estabelecidas para a concessão de aposentadorias, pensões e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) em 2025. Os dados constam em relatório enviado pelo próprio Palácio do Planalto ao Tribunal de Contas da União (TCU), que aponta atrasos significativos na análise dos pedidos e aumento das filas no INSS.

O Plano Plurianual previa prazo máximo de 101 dias para a concessão do BPC destinado a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda. No entanto, o tempo médio de espera chegou a 254 dias no fim do ano. Já os pedidos de aposentadorias e pensões, que deveriam ser analisados em até 44 dias, registraram média de 62 dias, contribuindo para uma fila de aproximadamente 3 milhões de requerimentos pendentes.

Segundo o governo federal, os atrasos foram provocados por problemas operacionais, falta de servidores nas perícias médicas e atualizações nos sistemas do INSS. O Executivo também atribuiu parte da lentidão aos efeitos da Operação Sem Desconto, que exigiu a revisão e o cancelamento de descontos considerados irregulares em benefícios previdenciários.

A crise na gestão dos benefícios resultou em mudanças no comando do INSS. Gilberto Waller Júnior deixou a presidência da autarquia, sendo substituído por Ana Cristina Viana Silveira, que recebeu a missão de reduzir as filas e garantir respostas em até 45 dias. Para acelerar a análise dos processos, o governo autorizou o pagamento de bônus por produtividade aos médicos peritos.

Além dos impactos para os segurados, o represamento dos pedidos pressiona as contas públicas. Os gastos da Previdência Social já ultrapassam R$ 1 trilhão por ano e seguem como a principal despesa obrigatória da União. Para 2026, a previsão de despesas aumentou em R$ 14,1 bilhões para o BPC e R$ 11,5 bilhões para aposentadorias e pensões, levando o governo a bloquear recursos de emendas parlamentares e de custeio dos ministérios.

Apesar de uma redução recente, o tempo médio de espera para concessão do BPC a pessoas com deficiência caiu para 134 dias, mas continua acima do limite estabelecido pelo próprio governo.