A professora Monique Medeiros foi absolvida da acusação de homicídio doloso pela morte do filho, Henry Borel, de 4 anos, após decisão do Conselho de Sentença do 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. O veredito foi anunciado na madrugada desta quinta-feira (4), após dez dias de julgamento.

Os jurados entenderam que não houve comprovação de que Monique tenha agido com intenção de matar ou assumido o risco pela morte da criança. Com isso, a acusação foi desclassificada para homicídio culposo, quando não há intenção de provocar o resultado.

No mesmo julgamento, o ex-vereador Dr. Jairinho foi condenado a 43 anos, nove meses e 20 dias de prisão pelos crimes de homicídio, tortura e coação no curso do processo. O Conselho de Sentença reconheceu que ele foi o autor da morte de Henry, ocorrida em 8 de março de 2021.

Após a desclassificação da acusação, a juíza Elizabeth Machado Louro concedeu perdão judicial a Monique. Na decisão, a magistrada destacou que a ré era primária, sem antecedentes criminais, e possuía circunstâncias judiciais favoráveis. Monique também já havia sido condenada a um ano e quatro meses de prisão por omissão em episódio de tortura contra o filho, pena considerada cumprida durante o período em que permaneceu presa preventivamente.

Durante o julgamento, a acusação sustentou que Monique ignorou sinais de violência e alertas feitos pela babá Thayná Ferreira sobre possíveis agressões cometidas por Jairinho contra a criança. Segundo a denúncia, a funcionária relatou episódios preocupantes envolvendo Henry e afirmou ter sido orientada a apagar mensagens após a morte do menino.

Inicialmente, Monique afirmou que encontrou o filho desacordado no quarto na noite do crime. Após romper o relacionamento com Jairinho e ser presa, ela mudou sua versão, alegando que foi induzida a mentir e passou a atribuir ao ex-companheiro a responsabilidade pela morte da criança.

A defesa argumentou que Monique era vítima de manipulação e violência psicológica dentro da relação. A professora também declarou acreditar que foi dopada com medicamentos para dormir na noite em que Henry morreu.

Após a decisão, Leniel Borel, pai da criança, criticou a absolvição de Monique e afirmou que o resultado representa um retrocesso na proteção de crianças e adolescentes.