O Partido dos Trabalhadores (PT) lançou nesta quarta-feira (22) a campanha “O Brasil não se entrega”, uma ofensiva nas redes sociais em resposta à tarifa de 25% imposta pelo governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, sobre parte dos produtos brasileiros.

As peças da campanha associam o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, às medidas adotadas por Trump e destacam os possíveis impactos da taxação na economia, no emprego, no agronegócio e nas empresas brasileiras. O material também reforça a defesa do Pix e da soberania nacional, tema que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende explorar durante a campanha pela reeleição.

Em um dos vídeos divulgados, Lula afirma que percorrerá o país para defender a soberania brasileira. “Eu estarei com o pé na estrada para, junto desse povo, levantar a cabeça e não deixar entregar o Brasil aos americanos”, diz o presidente.

Segundo integrantes do Palácio do Planalto, levantamentos internos e pesquisas de opinião indicam que a tentativa de vincular Flávio Bolsonaro ao tarifaço tem provocado desgaste político para o pré-candidato do PL. Um levantamento da Genial/Quaest também apontou perda de apoio entre eleitores de direita independentes após o anúncio das tarifas.

Embora a campanha seja organizada pelo PT, o conteúdo também tem sido compartilhado por aliados do governo, incluindo ministros e o vice-presidente Geraldo Alckmin, por meio de grupos de mensagens.

Alckmin afirmou que a soberania e a democracia brasileiras são “inegociáveis” e defendeu diálogo para enfrentar o impasse comercial. O governo federal, por enquanto, descarta adotar medidas de reciprocidade imediatas contra os Estados Unidos e avalia que qualquer reação deverá ocorrer apenas após as eleições.

As tarifas de 25% passaram a valer nesta quarta-feira e atingem cerca de 18% das exportações brasileiras. A medida foi adotada pelo governo americano após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que analisou temas como desmatamento, etanol e o sistema de pagamentos Pix. O governo Lula, no entanto, sustenta que a decisão possui motivação política e está relacionada ao cenário eleitoral brasileiro.