O terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode se tornar o período com maior gasto da história da Presidência da República com cartões corporativos. Dados oficiais auditados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) apontam que os desembolsos já chegaram a R$ 55,4 milhões.

Segundo levantamento divulgado pela Gazeta do Povo, caso o ritmo atual de execução orçamentária seja mantido até o fim de 2026, o governo poderá superar os valores registrados por gestões anteriores desde a criação do mecanismo, em 2001.

Considerando a correção pela inflação, o maior gasto atualmente pertence ao primeiro mandato de Lula, com cerca de R$ 70 milhões. Na sequência aparecem o segundo mandato de Lula, com R$ 57 milhões; o primeiro governo de Dilma Rousseff, com R$ 50 milhões; a gestão de Jair Bolsonaro, com R$ 39 milhões; Michel Temer, com R$ 18 milhões; e o segundo mandato de Dilma, com R$ 12 milhões.

Com aproximadamente 20 meses restantes de mandato, a projeção é que o atual governo ultrapasse o valor registrado na primeira gestão petista. Além dos cartões corporativos, as despesas do Executivo com diárias e passagens já ultrapassam R$ 4,5 bilhões ao longo dos três primeiros anos e meio da administração.

Os gastos da Presidência passaram a ser alvo de críticas após despesas relacionadas a viagens internacionais, hospedagens, reformas no Palácio da Alvorada, compra de móveis e manutenção da estrutura presidencial. Parte das despesas também envolve compromissos oficiais da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja.

O governo afirma que os gastos seguem necessidades operacionais, protocolos de segurança e a recuperação do patrimônio público. Já críticos da administração questionam os valores e defendem maior transparência sobre as despesas.

As viagens internacionais do presidente também geraram questionamentos, principalmente em relação aos custos de hospedagem das comitivas. Em 2025, cerca de R$ 18 milhões dos recursos destinados às missões internacionais foram utilizados com hospedagens, dentro de um orçamento total de aproximadamente R$ 52 milhões para viagens ao exterior.

Parlamentares e órgãos de controle cobraram informações sobre critérios para escolha dos hotéis, tamanho das delegações e despesas relacionadas às agendas oficiais. Em alguns casos, pedidos feitos com base na Lei de Acesso à Informação (LAI) não detalharam integralmente valores de hospedagem e alimentação.

Nos primeiros meses do atual mandato, compras para o Palácio da Alvorada também provocaram repercussão. Entre elas estavam um sofá de R$ 65 mil e uma cama de R$ 42 mil, adquiridos sob a justificativa de substituir móveis deteriorados. O governo também realizou outras compras e reformas para a residência oficial e o Palácio do Planalto.

A Presidência informou que parte dos gastos teve como objetivo recuperar espaços oficiais e adequar a estrutura utilizada pelo chefe do Executivo e sua equipe.

O TCU acompanha as despesas realizadas por meio dos cartões corporativos da Presidência e de outros órgãos federais. Segundo o tribunal, o instrumento é destinado a pagamentos relacionados a segurança, logística, emergências e missões oficiais. Até o momento, as auditorias não apontaram irregularidades.

Outro ponto de debate envolve o nível de sigilo aplicado às despesas da Presidência. Conforme auditorias do TCU, uma parcela significativa dos gastos permanece sob restrição de acesso por motivos ligados à segurança, privacidade e proteção de informações estratégicas.