Brasil – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (16), durante uma reunião com lideranças evangélicas do Brasil e dos Estados Unidos, no Palácio do Planalto, que não pretende utilizar templos religiosos como espaço para fazer campanha ou tratar de política.

Em sua fala, Lula destacou que respeita a fé dos brasileiros e afirmou que, caso queira fazer política, prefere fazê-lo nas ruas. A declaração ocorre a poucos dias das eleições, período em que o sistema eleitoral brasileiro volta a ocupar o centro do debate político.

O presidente também aproveitou o encontro para defender as urnas eletrônicas e criticar aqueles que, segundo ele, questionaram o processo eleitoral enquanto estavam no poder. Sem mencionar diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro, Lula afirmou que parte dos que colocavam em dúvida a segurança das eleições acabou presa.

“Não me convide para ir à Assembleia fazer um comitê, que eu não vou. Não vou nem da católica, nem da evangélica, porque eu respeito a fé das pessoas. Se eu quiser fazer política de comitê, eu faço na rua”, declarou.

Na sequência, Lula destacou a proximidade da votação e afirmou que caberá aos brasileiros definir os rumos do país.

“Daqui a 19 dias, esse país vai decidir que tipo de regime ele quer, que tipo de governo nós queremos, que tipo de democracia nós queremos. E o povo brasileiro é soberano”, disse.

O presidente ainda fez um gesto de aproximação com o público evangélico ao destacar a presença de mulheres em posições de liderança dentro de congregações, estabelecendo uma comparação com a estrutura da Igreja Católica.

Durante o encontro, o advogado-geral da União, Jorge Messias, que atua como ministro evangélico ligado ao governo Lula, também fez um discurso de forte conteúdo religioso e político. Ele afirmou desejar um país onde os púlpitos sejam compreendidos como espaços sagrados e não sejam utilizados para disputas políticas.

Messias pediu ainda que Deus “tire a escama dos olhos” dos cristãos para que consigam enxergar, segundo suas palavras, a verdade, a bondade e a justiça associadas ao presidente Lula. Emocionado, chegou a chorar ao afirmar que cristãos de esquerda enfrentam resistência até mesmo em momentos de oração.

A agenda também abordou conflitos internacionais. Lula voltou a defender o encerramento de guerras, citando especialmente o conflito entre Rússia e Ucrânia, e afirmou que o mundo precisa de uma “liderança humanista”.

O presidente também criticou o funcionamento do Conselho de Segurança das Nações Unidas e afirmou que pretende levar o tema para a Assembleia-Geral da ONU, onde deverá discursar no próximo dia 23.

Segundo Lula, os países que possuem poder de veto no Conselho de Segurança estão entre os que participam de conflitos armados e concentram a produção de armas.