Oriunda do YouTube, ‘Cobra Kai’ surgiu em meio a suspeitas de caça-níquel. Pudera, a série veio para comemorar os 30 anos de ‘Karatê Kid’ e trouxe de volta antigos astros de Hollywood sem uma aparente motivação, além da nostalgia. A primeira temporada limou esses olhares tortos e na terceira incursão, agora na Netflix, ela mostra que sabe usar a simplicidade de roteiro com histórias juvenis clássicas como poucos seriados atuais — e tudo isso sem perder o faro da nostalgia e revisão de atitudes oitentistas hoje naturalmente antiquadas.

O roteiro acerta, pois questiona o bom-mocismo exagerado de Daniel-san, enquanto deixa claro que a postura agressiva e ignorante de Johnny Lawrence também não se encaixa nos dias atuais — ou qualquer outro dia, pra ser mais direto, afinal, o cidadão fracassou. Ao buscar um meio-termo entre os protagonistas e dar mais holofote para Lawrence, a série desconstrói todo o abuso que era ser um Cobra Kai para tornar a “marca” em um símbolo de revisão de comportamento, já que fazer bullying, oprimir e agredir não faz ninguém um ser humano melhor. E Johnny, sem perder o carisma e personalidade, consegue revisitar seu comportamento para entender que para ser mais forte não é preciso diminuir ou agredir ninguém.

Todo esse contexto está dentro de uma história juvenil em Cobra Kai. Desde o visual, simples e sempre em cenários colegiais ou familiares, até os diálogos, que prezam pela forma direta e quase didática de explicar sentimentos e resoluções. E não há nada de errado nisso, pois boas histórias também podem abraçar tal simplicidade sem perder a força da narrativa, tal qual foi ‘Karatê Kid’ em há 30 anos. ‘Cobra Kai’ abraça a nostalgia sem vergonha de revisitar muito do que ela significa, montando uma trama de novela que lembra tramas adolescentes com alcance universal, cheia de romance, suspense e toques de ação. Naturalmente, é difícil não se identificar.

Fonte: Yahoo