O regime de Nicolás Maduro foi responsável por mais de 10 mil execuções extrajudiciais na Venezuela desde 2013, de acordo com um relatório divulgado pela Programa Venezuelano de Educação-Ação em Direitos Humanos (Provea). A organização aponta que as ações foram realizadas de forma sistemática por forças estatais ao longo dos anos.

A publicação do documento ocorreu meses após a queda de Maduro, que marcou o fim de um ciclo prolongado de governos chavistas no país. Ainda assim, a ONG alerta que parte da estrutura de repressão criada nesse período continua em funcionamento.

Segundo o levantamento, foram registradas 10.853 vítimas de execuções extrajudiciais, concentradas principalmente em áreas mais pobres. Jovens entre 18 e 30 anos aparecem como os principais alvos das operações conduzidas por agentes de segurança.

O relatório também destaca o aumento expressivo dos desaparecimentos forçados, além da perseguição a lideranças sociais, sindicalistas e defensores de direitos humanos, que teriam sido alvo frequente de ameaças e detenções arbitrárias.

Além das violações, o período também foi marcado por uma forte deterioração econômica e social. O salário mínimo chegou a níveis extremamente baixos, enquanto grande parte da população passou a depender de atividades informais para sobreviver. Houve ainda registros de prisões de líderes sindicais.

Na área da saúde, o cenário permanece crítico, com hospitais enfrentando escassez de medicamentos e insumos básicos, o que compromete o atendimento à população. A crise é agravada por problemas ambientais, como a exploração ilegal de recursos naturais e vazamentos de petróleo.