Brasil – Uma pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quinta-feira (16), aponta que as tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros estão corroendo a intenção de voto em Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL, inclusive entre eleitores de direita e bolsonaristas.

O levantamento foi realizado entre 10 e 13 de julho, antes de Washington confirmar, oficialmente, a medida, e veio a público horas após essa confirmação. Enquanto Flávio recua nas sondagens, Lula avança, beneficiado pela percepção majoritária de que o senador é o responsável pelo tarifaço.

O levantamento captou o humor do eleitorado ainda sem a confirmação oficial, o que torna os números um retrato do impacto antecipado da medida, antes mesmo de seus efeitos econômicos concretos se fazerem sentir.

Os entrevistadores perguntaram diretamente se o tarifaço aumentava a vontade de votar em Lula, em Flávio Bolsonaro ou em outro pré-candidato. A margem de erro para a amostra geral é de dois pontos percentuais, mas varia conforme o recorte por posicionamento político. Os números gerais já apontam uma direção clara: o tarifaço moveu o eleitorado, e o movimento favoreceu o campo petista.

No agregado geral, a intenção de voto em Flávio Bolsonaro motivada pelo tarifaço caiu de 30% em junho para 27% em julho, recuo de três pontos. O número já indica desgaste, mas é nos recortes por posicionamento político que a erosão se torna mais expressiva e politicamente relevante.

Entre a direita não bolsonarista, segmento com margem de erro estimada em cinco pontos percentuais, a queda foi de dez pontos: de 70% para 60%. A intenção de votar em “outro” pré-candidato subiu na mesma proporção nesse grupo, passando de 19% para 29%.

O movimento sugere que uma parcela da direita que já havia se afastado do clã Bolsonaro está encontrando no tarifaço um motivo adicional para buscar alternativas.

Na direita bolsonarista, onde a margem de erro é estimada em seis pontos, o impacto foi de sete pontos: de 88% para 81%. Mesmo dentro da base mais fiel, a medida americana produziu uma fissura mensurável.

A intenção de escolher outro candidato subiu na mesma proporção entre esse eleitorado. Trata-se de variações que, em ambos os casos, superam as respectivas margens de erro, o que confere peso estatístico ao recuo.

Do outro lado da disputa, Lula saiu fortalecido. A proporção de entrevistados que disse que o tarifaço aumentou sua vontade de votar no presidente subiu de 39% em junho para 42% em julho, alta de três pontos.

O avanço mais significativo veio entre os eleitores independentes: nesse grupo, a intenção de voto em Lula passou de 26% para 33%, variação de sete pontos que supera a margem de erro de quatro pontos para esse recorte. No mesmo eleitorado, a intenção de votar em “outro” pré-candidato recuou de 45% para 38%.

Os independentes tendem a ser decisivos em disputas polarizadas, e os dados indicam que o embate em torno do tarifaço está operando como ativo eleitoral para a campanha petista justamente nesse segmento.

A disputa narrativa sobre quem é o responsável pela medida também pende para Lula. Segundo a pesquisa, 51% dos brasileiros concordam com a versão do presidente, que atribui a Flávio Bolsonaro a responsabilidade pelo tarifaço, ante 47% em junho.

A versão do senador, que afirma ter pedido a Trump para não taxar o Brasil, convence 30% dos entrevistados, queda de cinco pontos em relação aos 35% registrados no mês anterior.

Ao fundo, 63% dos brasileiros acreditam que as tarifas afetarão suas vidas, o que transforma a questão comercial em pauta cotidiana e eleva o custo político para quem for associado à medida.